Os repteis de Angola

O crocodilo

O crocodilo é o maior réptil vivo conhecido. Os crocodilos africanos podem atingir  grandes dimensões. Os grandes rios de Angola, uns mais do que outros, estão pejados de perigosos crocodilos que não exitam em atacar e devorar animais de grande porte, como  zebras,  gnus e  búfalos. Crocodilos com mais de 6 metros de comprimento são vulgares em África. 

O crocodilo passa a maior parte da vida na água, mas gosta de se espraiar nas margens arenosas dos rios e dos lagos nos dias de sol. Os crocodilos atacam os animais que vêm beber ao rio ou que nele entram e aos que se aproximam demasiado das margens do rio. O ataque do crocodilo é um ataque silencioso e dissimulado antes do crocodilo agarrar a presa. O crocodilo arrasta as suas vítimas para o rio, para lugares com alguma profundidade e procura afogá-las. Os crocodilos também se alimentam de peixe que caçam nos rios. Depois das aves, são os parentes mais próximos dos dinossauros tendo evoluído dos tecodontes.

São os animais mais antigos da Terra pois chegaram a conviver com os dinossauros. Os crocodilos podem correr nas margens dos rios a uma velocidade de 16 km hora. Cientificamente pensa-se que tenham surgido na Terra há cerca de 248 milhões de anos. Os crocodilos possuem uma mandíbula poderosa repleta de dentes e podem vibrar uma dentada com a força bruta de 15 toneladas, não havendo mais nenhum animal que consiga atingir semelhante força.  Uma dentada de um crocodilo consegue perfurar facilmente a carapaça de uma tartaruga. A tartaruga é, aliás, uma das suas presas favoritas. A disposição dos seus dentes dentro da boca é muito irregular o que não lhe permite mastigar os alimentos, tendo por isso de sacudir violentamente as presas para as reduzir a pedaços que depois possa engolir. O músculo que lhe abre a boca é muito mais fraco que o músculo que a fecha, mas mesmo assim consegue abrir a boca num ângulo de 75º o que lhe permite abocanhar animais de grande porte. O crocodilo reproduz-se por ovos como as aves. Enterra os ovos na areia das margens dos rios ou das ilhotas como as tartarugas e vigia-os de perto para os defender dos predadores de ovos. As suas posturas são numerosas e protege as crias durante algum tempo, quando estas são bastante pequenas e vulneráveis.

O lagarto oveiro – Sengue angolano

O sengue é um varano africano que depreda os ninhos dos crocodilos e das tartarugas, comendo-lhes as posturas, mas que na sua dieta também inclui insectos, aves e pequenos roedores. É o que na giria comum conhecemos pelo nome de lagarto  grande. Tem uma língua longa  e  bifurcada. Os crocodilos fazem guarda aos seus ninhos e perseguem estes varanos quando eles se aproximam dos loxcais das suas posturas. Estes grandes lagartos chegam a alcançar comprimentos de mais de 1,5m. e podem correr com bastante velocidade para escapar aos crocodilos.

            Varano (sengue)

A Giboia – constritora

A giboia constritora é uma serpente de grande tamanho, mas não venenosa. No estado adulto pode chegar a atingir o tamanho de 4 m.        É basicamente um animal com hábitos noturnos (o que é verificável por possuir olhos com pupila vertical), ainda que também tenha atividade diurna. É um animal vivíparo porque os seus embriões, no final do período gestativo, recebem do sangue da mãe os nutrientes necessários. A gestação pode levar meio ano, podendo ter de 12 a 64 crias por ninhada, que nascem com cerca de 48 cm de comprimento e  75  gramasde  peso.                                                                                                                          A Giboia localiza as suas presas pela percepção dos movimentos e do calor e surpreende-as no mais profundo silêncio.Alimenta-se de mamíferos e aves de pequeno e médio porte, podendo no entanto os maiores exemplares atacarem e devorarem presas de tamanhos relatoivamente grandes, como cabras, antílopes e porcos. A sua boca é muito dilatável e apresenta dentes serrilhados nas mandíbulas o que lhe permite reter as presas à medida que as vão engulindo. As giboias matam  por constrição, envolvendo o corpo da presa e sufucando.a.   A digestão dos corpos engulidos é muito lenta e a giboia  fica imobilizada em estado de verdadeiro turpor, por mais de uma semana. É um animal muito dócil e não venenoso, apesar de gosar da fama de ser um  animal perigoso. Muitas pessoas possuem giboias em suas casas  a quem se afeiçoam bastante. 

Surucucu (Vibora angolana) 

A surucucu pertence à família das víboras e é uma das cobras mais venenosas de África. Ela pode atingir o comprimento de 1,5 m. É uma cobra de cabeça larga de formato subtriangular, com uma cauda curta, que normalmente é mais comprida no macho.

Tem o corpo revestido por escamas carenadas e possui olhos pequenos de pupila vertical. Tem uma coloração amarelada ou castanho claro com manchas mais escuras distribuídas ao longo de todo o seu corpo. Esta víbora altamente venenosa pertence à família dos crotalídeos, mas a sua cauda não tem guizo como a cauda da cascavel.

No entanto a cauda termina numa espinha córnea. Habita vulgarmente as florestas tropicais húmidas e possui uma tonalidade marron ornada de losangos de cor castanha acentuada.  As suas presas favoritas são os roedores que caça à noite e que detecta através do calor que emanam, utilizando para isso  as faculdades que a sua fosseta loreal ,que se situa entre os olhos e a narina lhe confere, e que é revestida por uma membrana sensível às pequenas variações de temperatura. A surucucu caça principalmente animais de temperatura constante  pois pode persegui-los através do rasto quente que deixam e pelo odor que comunicam às coisas. Reproduz-se por ovos que enterra na areia. A mordida mortal é vibrada através de um bote repentino, que instila na vítima o potente veneno que a irá imobilizar e intoxicar. A víbora possui embainhados na boca dois dentes curvos e ocos por onde circula o veneno que o animal injecta nas presas. Esta cobra africana é responsável pela morte de muitos africanos que acidentalmente a pisam sem a ver e que acabam por ser mordidos por ela. O seu veneno tem uma toxidade extrema e actua muito rapidamente. Um ser humano mordido por esta víbora, se não fôr imediatamente socorrido com soro anti-ofídico, pode morrer em menos de uma hora.

As mambas, preta e verde. 

As mambas são serpentes (cobras) arborícolas) conhecidas e temidas em toda a África, devido ao seu veneno poderosíssimo. A sua mordidela é quase sempre fatal se a vítima não for prontamente socorrida. As picadas da mamba preta são mais venenosas do que as da mamba verde, mas tanto uma como outra são perigosíssimas.

A mamba negra é uma das maiores e mais venenosas serpentes do mundo, pois pode atingir 4,5 m de comprimento. A mamba negra é também a cobra mais rápida do mundo e pode atingir uma velocidade de 20 km/h tanto para perseguir as presas, como para fugir.

A mamba preta passa a maior parte da sua  vida no solo, mas pode escalar árvores com facilidade. A mamba tem um bote muito rápido e o seu veneno provoca paralisia, podendo conduzir à morte entre 2 a 4 horas, se a picada for na região do pé, mas se a picada for na região do tórax, no pescoço ou no rosto a morte pode sobrevir em menos de 20 minutos.

A Cobra Cuspideira

A cobra cuspideira é uma das cobras mais perigosas de África, a seguir à mamba, devido à sua capacidade de expelir verdadeiros jactos de  veneno do fundo dos dentes, que  pode atingir de forma pulverizada os olhos e a boca da vítima. Esta cobra cujo tamanho médio comum não ultrapassa os dois metros, pode no entanto chegar a atingir os 3 metros. As cobras cuspideiras apresentam uma cor verde acinzentada ou castanho escuro. Frequentam uma grande variedade de habitats e tanto podem aparecer em matagais como na savana.

Têm hábitos mais noctívagos do que diurnos e gostam de se estender ao sol perto dos seus esconderijos. A sua dieta alimentar é muito variada, incluindo outras cobras, lagartos, sapos, aves e mamíferos roedores de pequeno porte. Quando perturbada é capaz de erguer a cabeça e a parte dianteira do corpo dois terços acima do seu comprimento e pulverizar o seu veneno com rápida precisão, alvejando os olhos e a boca das vítimas. O seu veneno é rapidamente absorvido pelas mucosas dos olhos e da boca da vítima e produz uma rápida intoxicação, entorpecendo rapidamente a presa de que depois facilmente se apodera.

O autor deste blog viveu em Angola um episódio muito interessante, em que interveio uma cuspideira de tamanho invulgar e que relata na sua obra “Fábulas e Contos de África” que pode ler neste meu blog procurando em: “A astúcia de uma cobra cuspideira” na seccção de contos do autor. Esta obra pode ser adquirida pelo leitor, por meio de pedido formulado ao autor para o mail : angolano29@ymail.com.

Cobra Coral

As cobras corais são serpentes de pequeno porte que podemos reconhecer com muita facilidade devido ao seu colorido muito  vivo. Há cobras corais venenosas e cobras corais não venenosas.

A distinção destes dois tipos de coral não é fácil de fazer, pois requere o exame minucioso da posição dos dentes ou do padrão dos anéis.  As cobras coral habitam também na América Central, na América do Sul e no Sul dos estados Unidos e no México.

                         Falsa Coral – Não venenosa

Podemos notar facilmente que o padrão dos aneis pretos e brancos é diferente. Na venenosa vemos que o anel preto fica entre os dois anéis brancos e na falsa coral é precisamente o contrário.

Naja africana, naja anchietae 

As najas são cobras altamente venenosas, que habitam vários continentes, divididas em vários tipos e subtipos.     A naja  encontrada em muitos países de África é a naja anchietae. É uma serpente cinzenta que possui um capelo dilatável, que a cobra abre quando se sente ameaçada e se prepara para morder. O seu veneno é altamente tóxico. É uma cobra que tem também  a faculdade de expelir jatos de veneno como fazem as cobras cuspideiras. As najas são as cobras que os encantadores de serpentes indianos usam. As najas são surdas e os movimentos ondulantes que fazem quando os encantadores tocam as suas flautas, não se devem à música, mas aos movimentos da flauta.

Todas as espécies de najas podem desferir uma mordida fatal ao homem . O seu veneno é de forte efeito neurotóxico, que actua fortemente todo o sistema nervoso, causando paralisia, impossibilidade de deglutir, necroses das extremidades e um efeito anticuagulante no sangue das vítimas.

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11 respostas a Os repteis de Angola

  1. Tavares diz:

    Gostei. Porém, em Angola, haviam outras t/b venenosas ( do café, da palmeira de dendem ), lembro-me vagamente de um nome “Dala” ? Vou procurando….Obrigado.

    • angolano29 diz:

      Trata-se de mera questão de nomenclatura. Muitas vezes os nomes variam conforme as regiões. Meu falecido pai também me chegou a falar na cobra “dala”. Cientificamente creio tratar-se de uma mamba verde que, nas árvores, se atira de galho em galho.
      Obrigado por visitar o meu blog.
      A.S.Lopes

  2. Francisco Alberto Ribeiro Cação diz:

    Já o contactei em “sitiodopicapauangolano”, onde inumero quais as fotos de répteis que estou interessado para fazerem parte do meu livro, aguardo sua autorização.
    Cumprimentos

    • angolano29 diz:

      Caro Sr. Alberto Ribeiro,

      Desculpe não ter podido dar-lhe uma resposta mais cedo. Quero antes de tudo o mais, agradecer a sua visita ao meu blog. Fico feliz por saber que apreciou as fotografias dos repteis angolanos (que são de uma forma geral os repteis da variada e interessante fauna africana). Informo-o no entanto, que nem todas as fotos são minhas. Quando saí de Angola em 1975, em circunstâncias desagradáveis e à pressa, deixei para trás a maior parte das coisas que possuia, entre elas a minha colecção de fotografias. Fui então para o Brasil onde permaneci durante quatro anos e meio. Já depois de ter regressado a Portugal, em 1981, resolvi escrever um livro para crianças, intitulado “Fábulas e Contos de África” por ter compreendido que muitas crianças nascidas em Angola, nem sequer conheciam a fauna do seu país de nascimento. Mais tarde, ao dar início ao meu blog, resolvi colocar nele uma descrição com imagens da fauna e da flora angolanas. Talvez tivesse sido um gesto de saudosismo. Como não dispunha de todas as fotografias de que necessitava recorri à Internet, para ilustrar essa descrição, não deixando de agradecer aos autores ignorados as fotos usadas. Penso que poderá fazer o mesmo, declarando que não é o autor das fotos.
      Sem mais um abraço.

  3. Francisco Alberto Ribeiro Cação diz:

    São Pedro do Estoril, 01 de Novembro de 2013
    Muito obrigado por ter respondido. O meu percurso de vida é muito semelhante ao seu, nasci em Luanda/Angola em 1945, filho de pais portugueses, fui para o Brasil em 1976 e vim para Portugal em 1985. Quanto ao livro que já está práticamente terminado, parte do conteúdo, também revela uma grande dose de saudosismo. Quanto às fotografias, vou seguir de acordo com a sua opinião.
    Um grande abraço.

    • angolano29 diz:

      Caro amigo e conterrâneo angolano.
      Também sou filho de pais portugueses, embora minha mãe tenha nascido em Angola. Também rumei ao Brasil em 1976, mas saí de lá em 1981 e vim fixar-me perto do Barreiro. Fiz muito mal em não ter ido para o Canadá ou para a Australia. Sempre apreciei esses dois países.
      Fiquei por aqui, para infelizmente assistir a este triste drama que nos colocou nas mãos de verdadeiros traidores.
      Um grande abraço.

      • Francisco Alberto Ribeiro Cação diz:

        S. P.Estoril, 03.11.2013
        Estimado Patrício, quando nascemos já vinhamos com o destino traçado. será que um dia ainda vamos ver a justiça a ser feita? Penso que não.Nestas últimas décadas o que tenho vistos são os vendidos, traidores e ladrões a progredirem na vida. Isto é um Mundo do faz de conta, mas são todos da direita para a esquerda e vice-versa. Já ninguem sabe o que é o carácter. Já alguém disse uma vez “cada povo tem o que merece”.
        Um grande abraço,.

  4. ana manico diz:

    Prezado!

    Estou impressionada, com o seu blog, bastante criativo e educativo. Foi de grande ajuda na elaboração da minha apresentação sobre animais peçonhentos de Angola. É de valorizar trabalhos deste género, que contribuem de uma forma constructiva para o desenvolvimento cultural angolano.

    Obrigada e muitos sucessos em seus futuros trabalhos

  5. CA diz:

    Uma pergunta. Uns plainitos ou umas botas de cano alto até um pouco acima do joelho evitam acidentes com a surucucu? É que não faz uma semana passei distraído a 50 cm de uma, no meio de uma mata de embondeiros no Kwanza Sul.

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