Os peixes de Angola, fauna piscícola

Os mares e rios de Angola são muito ricos em peixe e contemplam a população com uma grande diversidade de espécies. Mencionarei aqui, não só, as espécies consideradas desportivas, mas também as mais populares, que se comercializam frescas, salgadas e secas e as mais utilizadas pelas industrias conserveiras. 

Peixe Prata

Ao olharmos para um peixe prata estamos praticamente a ver uma gigantesca sardinha. O peixe prata, nome porque é mencionado em Angola, é o bem conhecido tarpon, um peixe de grande tamanho  que é considerado um trofeu de grande valor para os pescadores desportivos. O peixe prata, vamos nomeá-lo assim, pois é o nome  porque é vulgarmente conhecido em Angola é um lutador por excelência. É um peixe nativo do Oceano Atlântico, que frequenta as embocaduras dos grandes rios para melhor se poder alimentar, podendo deslocar-se e viver em água doce. Os tarpons possuem grandes olhos com pálpebras adiposas e têm uma grande boca com um maxilar inferior saliente que pode projectar para fora. As fêmeas têm grandes posturas, que chegam a atingir o incrível número de 12 milhões de  ovos de uma só vez. Os juvenis vivem muito do zoo plancton na primeira fase do seu desenvolvimento, passando depois a consumir insectos e pequenos peixes. Em Angola os pescadores desportivos capturam com frequência o peixe prata na embocadura do rio Quanza. A pesca destes grandes peixes é feita ao corrico, com amostras artificiais ou com sardinhas inteiras. O peixe depois de fisgado luta desesperadamente para se libertar do anzol chegando a dar saltos de mais de dois metros fora de água. Em Angola é vulgar fazerem-se concursos de pesca ao peixe prata. O peixe prata possui umas  enormes escamas prateadas que cobrem a maioria do seu corpo. No estado adulto, que pode ter grandes variações de tamanho o peixe prata pode ser caçado por tubarões.

Peixe Prata em luta para se libertar do anzol.

                Peixe Prata capturado, ao ser içado para bordo

 

 Tubarão martelo ataca e come um peixe prata filado por um pescador desportivo.

O Mero

O Mero é um  peixe de grandes proporções dotado de olhos grandes e uma boca enorme,  circundada por uns lábios  grossos. É um peixe muito voraz e territorial. É uma espécie muito emblemática que tem sido objecto de muitos estudos científicos e reportagens, mas que continua  a manter muitos segredos por desvendar. Existem muitas espécies de meros, cerca de 400. Algumas espécies chegam a alcançar tamanhos quase incríveis, havendo exemplares que podem chegar a ter  cerca de 2 m de comprimento e alcançar o peso de mais de 300 kg.

Os meros habitam normalmente os fundos rochosos dos oceanos a profundidades compreendidas entre os 3 e os 200 m, podendo mesmo ultrapassar esta cota de profundidade, contudo é mais vulgar encontrar meros adultos entre os 15 e os 100 m de profundidade. Dizem os mergulhadores, que o que mais chama a atenção nos meros, para além da sua natural robustez são os seus olhos extremamente expressivos. Os meros são peixes hermafroditas protogínicos  que vivem inicialmente como fêmeas e que em função da pressão populacional de meros de pequeno tamanho pode induzir a alteração sexual dessas fêmeas em machos. As fêmeas dos meros podem produzir perto de 300.000 ovos por cada kg do seu peso vivo, o que significa que uma fêmea de 10 kg de peso produza aproximadamente três milhões de óvulos.

  Os meros quando atingem um determinado tamanho, tornam-se peixes solitários, mas podem viver agrupados por tamanhos em dois e três exemplares,  desde que sejam da mesma envergadura.

Os meros são peixes muito vorazes que se alimentam de outros peixes menores e de polvos e lulas que aspiram com as suas grandes bocas. A sua carne é das melhores carnes de peixe que existe, pelo que são bastante procurados pelos caçadores submarinos.

A Raia

 As raias, de que existem muitas espécies, são peixes cartilaginosos aparentados com os tubarões e caracterizam-se por possuirem um corpo achatado dorsiventralmente e, as fendas branquiais ficam situadas por baixo da cabeça. Vivem normalmente nos fundos planos e arenosos, possuindo uma grande capacidade de dissimulação. Nas maiores espécies conhecidas incluem-se as jamantas que se tornaram peixes pelágicos, vogando pelos oceanos tropicais.                                                                         

As raias têm as barbatanas peitorais como uma extensão do próprio corpo com formas arredondada ou em losango. Algumas raias são dotadas de caudas longas nas quais possuem um espinho venenoso.

Existem também raias que podem desferir descargas eléctricas, como as tremelgas. As jamantas são raias de enormes proporções que se alimentam de pequenos peixes e de plancton e que na época da reprodução saltam sobre a superfície do mar.

 Jamanta nadando sobre um cardume de peixes

 

 

A garoupa

A garoupa é um peixe da família do mero, mas que não chega a atingir as proporções do mero. É sob o ponto de vista culinário um peixe de excelente paladar que é muito procurado para a preparação de pratos de peixe de sabor requintado. Os mares de Angola são muito ricos em Garoupa. A Garoupa vive em fundos rochosos e é um peixe muito voraz  que vem facilmente ao anzol.

É muito encontrada nas superfícies comerciais nas bancas de peixe.  É um peixe caro que não está ao acesso de todas as bolsas.Há várias espécies de garoupas.

Há mesmo uma espécie  bastante bonita, pois é vermelha e exibe  pintas azuis. Os pratos de garoupa mais apreciados são sem dúvida os  filetes de garoupa com puré de batata e salada mixta e a Garoupa assada no forno com batata, cebola e tomate.

Garoupa vermelha de S.Tomé

Atum

O atum é um dos peixes mais importantes sob o ponto de vista comercial. Os mares de Angola, principalmente, no Atlântico Sul, em plena corrente de Benguela, são particularmente ricos em atum.

O atum pode ser consumido ao natural, em filetes e caldeiradas, mas é, como a sardinha, um dos peixes mais utilizados na industria conserveira. O atum em conserva deve ser mesmo o  peixe mais conhecido no mundo inteiro e parece haver pouca gente que não aprecie uns bons  filetes de atum branco em conserva de azeite de oliveira. Um dos pratos mais populares é sem dúvida o atum com grão de bico e cebola crua, bem temperado com azeite puro de oliveira. No ano de 2002 (a estatística mais recente que possuo) foram capturadas em todo o mundo mais de 6 milhões de toneladas de atum.

Entre os países de maior consumo de atum fresco e em conserva está em primeiro lugar o Japão. O atum é uma espécie muito procurada pelas frotas pesqueiras de todo o mundo e por isso é um peixe que paga todos os anos um preço muito caro. O atum vive nas regiões tropicais e subtropicais de todos os oceanos. Os mares dos Açores são particularmente ricos em atum. Este peixe tem um corpo fusiforme e alongado,uma boca grande, terminada em bico, possui duas barbatanas dorsais bem separadas.

A sua barbatana caudal é bifurcada e no seu pedúnculo ostenta duas quilhas de queratina. Os atuns são peixes endotérmicos o que quer dizer que possuem um sistema vascular especializado em efectuar trocas de calor tendo a capacidade de elevar a temperatura do corpo acima da temperatura da água em que nada. Os atuns têm uma capacidade extraordinária para nadar grandes distâncias, podendo percorrer cerca de 170 km por dia. Os atuns agrupam-se em grandes cardumes e são predadores muito activos. Sob o ponto de vista reproductivo as fêmeas produzem grande quantidade de ovos planctónicos que se desenvolvem em formas pelágicas e seguem a sua evolução até atingir o tamanho adulto. 

 

 Tubarão martelo

O tubarão-martelo é um dos vários géneros de tubarões que nadam nos mares tropicais de Angola. É assim apelidado devido ao facto da sua cabeça ter uma configuração que nos faz lembrar um martelo.

É nas duas extremidades desta cabeça que se situam os olhos e as narinas do animal. É um predador agressivo que consome na sua dieta habitual, peixes, cefalópodes e raias e canibaliza tubarões mais pequenos. Tem um comportamento gregário pois agrupa-se em cardumes numerosos.

Este tipo de tubarão pode nadar a grande velocidade e consegue detectar os campos magnéticos das suas presas mesmo que minúsculos. Quando caça nos fundos oceânicos consegue facilmente detectar peixes e cefalópodes enterrados e escondidos na areia acabando por devorá-los.

Tal como os restantes tubarões o tubarão martelo possui sensores electromagnéticos chamados Ampollas de Lorenzini o que lhe permite nadar com grande precisão  até à sua presa. Esses extraordinários sensores podem detectar sinais eléctricos de metade da bilionésima parte de um volt. A sua cabeça em forma de martelo também o ajuda a detectar pelo olfato as partículas existentes na água com uma capacidade dez vezes maior do que a de outros tubarões.

Estes tubarões possuem o hábito de se agrupar durante o dia, mas de caçar sózinhos durante a noite. Têm uma boca muito mais pequena do que a  boca de outros tubarões, pelo que comem presas mais pequenas. Reproduz-se por ovos que são incubados dentro do corpo da fêmea durante 10 a 12 semanas ligados à progenitora por uma espécie de cordão umbilical até esta os dar à luz.

Tubarão tigre

Este tubarão é depois do grande tubarão branco, um dos mais agressivos e vorazes e torna-se extremamente perigoso para os banhistas, nas praias africanas. É um tubarão que habita as águas tropicais e que pode atingir grandes proporções físicas. Chega a medir 6 m de comprimento, possuindo um corpo robusto, uma cabeça larga e achatada  e um focinho curto e arredondado. Tem uma cor cinza escuro ou cinza acastanhado com manchas escuras verticais, donde lhe vem o nome de tubarão tigre.

Tem uma poderosa dentadura composta por dentes grandes e triangulares que lhe permitem cortar ossos, e até cascos de tartarugas com grande facilidade.

É extraordinariamente agressivo e possui uma imensa curiosidade pelos mergulhadores desportivos, que quase nunca ataca. Costuma ser pescado ao corrico ou com linha de fundo e anzol.

Por ser um tubarão omnívero (come de tudo) tornando-se muito perigoso para o próprio homem, que costuma atacar nas praias não protegidas por redes eléctricas.

 

 Tubarão touro

O tubarão-touro ou tubarão de cabeça-chata, também pode  atacar os homens por erro de identificação pois pode considerar a sua vítima como invasora, dado ser um tubarão muito territorialista. Mesmo que o ser humano não se aperceba, o tubarão pode  sentir-se acuado ou julgar que a sua área territorial está a ser invadida pela presença humana. Essa é, nesta espécie a razão fundamental do ataque. Este tipo de tubarão frequenta também todos os mares tropicais.

Este tubarão pode viver em água doce pelo que frequenta as embocaduras dos rios.Possui um nariz pequeno que é bem largo, a sua barriga é branca e seu corpo é cinza e seus olhos são pequenos, sua primeira barbatana dorsal é muito maior e mais pontuda que a sua segunda barbatana dorsal. As fêmeas são sempre maiores que os machos chegando a 3,5 metros.

Muitos ataques são atribuidos a esse tubarão , que é muito perigoso, provavelmente o mais perigoso nas águas tropicais depois do tubarão branco e do tubarão tigre. Esse animal come de tudo inclusive pessoas, autores de muitos ataques a pessoas em diversos rios e já foi encontrado até no rio Amazonas.

Esse tubarão é mais famoso por entrar rio a dentro , onde as pessoas não esperam que haja tubarão, mas cuidado que existe. Esse tubarão também é muito conhecido aqui no Brasil por ser autor de vários ataques fatais e não fatais ocorridos na praia de Boa Viagem no Recife.  Este tubarão possui uma taxa de testosterona muito alta, o que faz com que a espécie seja extremamente perigosa e feroz. Por isso é importante não mergulhar em praias (e rios) em que esse tubarão se possa encontrar, tome cuidado.

 

 

 

Tubarão branco

O tubarão branco, o tristemente célebre (Carcharodon carcharias) é o  maior predador existente no mar na actualidade. Um tubarão-branco pode atingir 7,5 metros de comprimento e pesar até 2,5 toneladas. Esta espécie vive nas águas costeiras de todos os oceanos, desde que neles existam populações  das suas presas favoritas, em particular focas e leões marinhos.

Esta espécie é a única que sobrevive, na atualidade, do gênero Carcharodon. O seu antepassado mais próximo foi o chamado Megalodon (Carcharodon Megalodon), o tubarão-branco gigante. Os tubarões brancos caracterizam-se pelo seu corpo fusiforme, em contraste com as formas espalmada de outros tubarões. O focinho é cónico, curto e largo. A boca, muito grande e arredondada, tem forma de arco ou parábola. Permanece sempre entreaberta, deixando ver, pelo menos, uma fileira de dentes da mandíbula superior e uma dos da inferior, enquanto a água penetra nela e sai continuamente, pelas brânquias. Se este fluxo parasse, o tubarão afogar-se-ia, por carecer de opérculos para regular a passagem correcta de água, e afundar-se-ia na mesma, já que ao não possuir bexiga natatória vê-se condenado a estar em contínuo movimento para evitar afundar-se. Durante um ataque, as mandibulas abrem-se ao ponto de a cabeça ficar deformada e fecham-se imediatamente de seguida, com uma força 5 vezes superior à mordida humana. Os dentes são grandes, serrados, de forma triangular e muito largos. Ao contrário de outros tubarões, não possue qualquer espaçamento entre os dentes, nem falta de dente algum, antes, têm toda a mandibula repleta de dentes alinhados e igualmente capazes de morder, cortar e rasgar. Atrás das fileiras dos dentes principais, este tipo de tubarão tem duas ou três fileiras a mais em contínuo crescimento, que suprem a frequente queda de dentes com outros dentes novos que se vão substituindo por novas fileiras ao longo dos anos. A base do dente carece de raiz e encontra-se bifurcada, dando-lhe uma aparência inconfundível, em forma de ponta de flecha.

As terminações nervosas do extremo lateral (Linha lateral), captam a menor vibração ocorrida na água e guiam o animal até à presa, que está causando essa perturbação. Outros receptores (conhecidos como ampolas de Lorenzini, são células especializadas, com uma forma similar à de minúsculas “garrafas”) situadas em toda região da cabeça do animal, permitem-lhe captar também campos elétricos de frequência variável, que provavelmente usam para orientar-se nas suas migrações, percorrendo grandes distancias. O seu olfato é tão potente que a presença de uma só gota de sangue a quilômetros de distância serve para atraí-lo, ao mesmo tempo que o torna muito mais agressivo. A visão também é bem desenvolvida e tem um papel muito importante na aproximação final à presa e o seu peculiar estado sempre atento, permitindo o ataque a partir de debaixo da mesma. Os tubarões brancos são muito comuns no Oceano Índico, principalmente nas costas sul africanas onde dão uma caça encarniçada às focas e aos leões marinhos.

O tubarão branco é um tubarão omnívero, mas não tem o homem como sua presa habitual, ataca-o por confundi-lo com os leões marinhos. O tubarão branco só é branco na face ventral, pois o seu dorso é de cor cinza azulada. 

A corvina

É um peixe muito comum e muito pescado em Angola, principalmente nas regiões de Benguela e de Moçâmedes, mas existe ao longo de toda a costa Angolana. Este peixe vive praticamente em todos os oceanos do mundo.

Em Angola também é conhecido pelo nome de pungo e é muito pescado para ser comercializado escalado e salgado.

A corvina pode atingir tamanhos interessantes, cerca de 70 cm. O seu corpo é alongado e comprido de tonalidade prateada a marron. É mais escura no dorso e mais clara no ventre. Possui dois barbilhões na mandíbula inferior. É um peixe de grande valor comercial que sustenta a industria pesqueira de muitos países do mundo.

O carapau

O Carapau é um peixe vulgar, muito abundante nos mares de Angola e que é pescado muito intensamente. É um peixe pelágico fusiforme, com uma linha lateral terminada por escamas em forma de escudo, e uma camada de músculo vermelho na parte lateral do corpo. São peixes pelágicos que formam por vezes grandes populações e têm grande valor nutritivo e comercial.

O seu consumo na alimentação humana é muito grande, sendo a maior parte do pescado enviado seco para as zonas do interior de Angola onde é vendido aos africanos.

O carapau (Trachurus trachurus) surge perto da  costa entre a Primavera e o Outono, podendo esporadicamente aparecer noutras alturas do ano, em situações de mar calmo e águas claras durante vários dias.

Pesca-se o carapau entre o anoitecer e o amanhecer de preferência em noites escuras. Por se tratar de um peixe gregário que nada em grandes cardumes  proporciona boas pescarias com rede de arrasto, enchendo os porões dos barcos de pesca.


 


 

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