O Povo Herero

O Povo Herero é uma etnia que se está quase extinguindo, pois dele restam apenas,  umas escassas 240.000 pessoas, que habitam  a Namíbia, o Botswana e uma muito limitada porção do território de Angola. 

Os hereros são um povo tradicionalmente pastor que vive para criar gado bovino, sendo esta a expressão da sua razão de vida e de toda a sua riqueza. As  raízes étnicas deste povo estão profundamente ligadas ao grande grupo bantu de pastores nómadas que habitavam a África Oriental antes da expansão banta pelo Continente africano. O  tipo humano dos hereros revela traços que provam a sua interligação com os povos Cushiticos, através de algumas  notórias características (coloração da pel, influência linguística, traços faciais finos, hábitos de vida e de comportamento, e grande semelhança de  costumes e tradições).

A etnia herero subdivide-se em vários grupos afins nos quais  encontramos características semelhantes que  claramente evidenciam uma raiz étnica comum. São exemplo claro dessa semelhança os Namas, os Himba, os Kuvales, os Zembas, os Kwandus, os Mbanderos, os Hacahonas e  os Tjavikwas. São, todos, povos nómadas que vivem consagrados ao seu gado e que se deslocam pela Namíbia, pela Ovambolândia e pelo Sul de Angola,   em procura constante de bons pastos para os seus animais. Durante as últimas décadas do Século XIX os hereros  envolveram-se em conflitos com os colonizadores alemães do Sudoeste Africano (hoje Namíbia) que, para se conseguirem  estabelecer no território, tiveram de lhes adquirir ou extorquir terras pela força das armas, até que em 1903 acabaram por ser completamente dominados pelos colonos alemães e confinados a ter de viver em  reservas. Muitos dos herereros que permaneceram no Sudoeste Africano junto aos colonizadores alemães foram adquirindo alguns hábitos europeus e assimilando alguns aspectos da cultura dos colonizadores, tendo passado por grandes transformações que os distanciaram fortemente de outros grupos hereros mais conservadores que teimaram em  viver como pastores nómades  vivenciando as  tradições e a cultura ancestral do seu povo. Estes são actualmente os grupos de hereros mais estudados pelos etnólogos e antropólogos. A história do povo herero é uma história muito triste, por constiuir o exemplo de um vergonhoso genocídio perpretado pelos alemães em pleno século XX em África. (1904 a 1907) Depois de  derrotados e massacrados pelos intrusos alemães na batalha de Waterberg, os sobreviventes dessa batalha  foram impiedosamente perseguidos e escorraçados para o deserto de Omaheke onde a maior parte terá  morrido de sede e de fome, ou envenenada, pois  segundo constou na época, os alemães envenenaram todos os poços de água  que existiam no deserto.

    Homem herero fumando cachimbo.

   Grupo de Hereros

 

                         Mulher hereo e criança

        Grupo de mulheres hereros, grupo europeizado.

                         Grupo de hereros, pastores

           Grupo de mulheres herero.

 As mulheres hereros  raramente se disputam entre si com base  em ciúmes e nem mesmo o adultério das mulheres é entre os hereros coisa grave ou insuportável. As mulheres casadas podem ter um ou mais namorados com quem fazem sexo, sem que isso possa constituir motivo de desemtendimento grave entre os casais ou entre os homens. O que constitue ofensa grave para os hereros é a mulher permitir que o namorado frequente a casa do casal quando o seu marido  estiver presente na aldeia. Em contra partida o herero pode ter mais do que uma mulher a cohabitar com ele, desde que as possa sustentar. A poligamia é prática corrente entre os hereros e as mulheres devem dar-se bem umas com as outras  procurando  por todos os meios proporcionar prazer e apoio ao marido. Os bois são para os hereros os bens mais preciosos e definem a sua fortuna,  marcando a sua posição social na tribu. Enquanto novos, os bois raramente são abatidos para alimentação. Os herereos preferem abater cabras ou comer caça para se suprirem de carne. Os bois novos só são mortos para comemorações e festejos familiares, ou  para celebrar as suas cerimónias fúnebres. Casamentos e mortes principalmente. Os hereros escolhem em vida os bois que os devem acompanhar na morte. A cabeça do seu boi favorito deverá ser cortada ao animal depois de morto, para servir de travesseira para a sua cabeça na sua morada do além.

Entre os rituais mais marcantes destes povos hereros, encontra-se o ritual da circuncisão que se generalisou  em todos os seus diferentes ramos étnicos. A extracção dos dentes incisivos na infância é um costume largamente difundido e praticado. Os hereros dividem os alimentos entre si e exercem a justiça através da aplicação de multas. As suas mulheres são normalmente robustas e esbeltas e muito aptas para a procriação.É um hábito das mulheres herero parirem os seus filhos de cócoras e cortarem o cordão umbilical dos seus filhos com um canivete afiado. A água não é normalmente utilizada na sua higiene corporal. Em sua substituição fazem uso de uma massa preparada com manteiga de vaca e com o pó de uma raiz avermelhada, que em Angola dá pelo nome de tacula. Esta massa avermelhada é esfregada por todo o corpo dando à pele uma bonita tonalidade bronzeada que possui um bom efeito protector contra os raios solares e contra o vento seco das regiões áridas ou semi-áridas onde normalmente vivem.

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