Angola – O pesadelo de 1975

 

     A grande Diáspora

 Em Junho de 1975 e nos meses que se seguiram, até Outubro, começou o êxodo da população branca e de todos os pretos e mestiços que não se aliaram ao MPLA. A falta de meios de transporte capazes de dar resposta a esse volumoso  êxodo levou a maioria das pessoas a uma fuga precipitada e imperativa. Ninguém alimentava a ideia de ficar, porque ficar significaria morrer. À medida que se ia aproximando a data da independência, sair de Angola foi-se tornando cada vez mais difícil e angustiante. O medo de ficar retido em Angola à mercê dos nacionalistas, exposto a todo o tipo de riscos, abusos, humilhações e sevícias tornou-se terrível e insuportável. Quase ninguém se preocupava já com os seus bens. Todos tinham um objectivo comum: sair de Angola para salvar a vida.

 Ao longo dos cais, ficaram como testemunhas mortas e mudas dessa precipitada e triste  diáspora, as caixas, os fardos e as embalagens  com os respectivos pertences dos que  em  pânico abandonavam Angola.

Foi essa a trágica realidade que se abateu sobre os europeus paralisados  em Angola nessa altura.

Este facto deveras vergonhoso não é nenhuma novidade. É do conhecimento geral dos portugueses. A indiferença dos nossos militares, que assistiram impassiveis ao saque e aos maus tratos dos seus compatriotas,  permanecerá para sempre na memória das vítimas e na memória imutável da história, como um comportamento vergonhoso, cobarde e  indigno. 

As personalidades perversas que o praticaram agiram em estrita obediência às directivas do PCP,  colocado de alma e coração ao serviço da União Soviética para minar a lealdade do Exército Português e a segurança de todo o  Ocidente.

Aos portugueses, traídos e abandonados, juntou-se uma grande quantidade de africanos das tropas especiais e dos flechas, que combateram ombro a ombro com os nossos soldados e que foram cruel e implacavelmente chacinados pelos nacionalistas. Eles pagaram, como ninguém, o preço dessa traição. Ainda hoje permanece, na mente de muitos portugueses, a convicção ingénua  de que Portugal se transformou num país democrata com a ajuda do Partido Comunista Português e do exército. Longe, muito longe, está a verdade dos factos. Se  a tempo, não tivesse havido um 25 de Novembro de 1975, os portugueses teriam podido conhecer então, em toda a sua dolorosa extensão, o verdadeiro significado e terror das democracias à boa maneira soviética. Que mérito se pode por isso atribuir ao PCP durante este período conturbado da nossa história? E o que se pode ajuizar sobre o deplorável comportamento do Exército Português, numa ocasião em que colaborou inteiramente com os comunistas portugueses e com a sua traição?

A alegria colectiva do povo português ao conquistar a liberdade e a democracia no 25 de Abri, abafou estas tristes realidades, mas a História que tudo regista com imparcialidade e rigor, nunca permitirá que se apague definitivamente da sua infalível memória o vergonhoso  drama da  descolonização, que havia de nos arruinar e de arruinar Portugal.

 ASL

Este texto faz parte integrante do Capítulo dedicado à Cronologia da Guerra Colonial em Angola inserido no romance “Café Amargo, Angola em Tempos de Guerra”  que estará à venda nas bancas livreiras em Dezembro de 2011.

 

 

 

 

 

 

 

                 

 

 

 

 

 

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