Florbela Espanca – poetisa do amor

Quem era Florbela Espanca

  Florbela Espanca nasce em Vila Viçosa, Alentejo a 8 de Dezembro de 1894  e, por ironia do destino,vem a morrer, precisamente no dia 8 de Dezembro de 1930, em Matosinhos, trinta e seis anos depois do seu nascimento. Esta coincidência estranha, leva a crer que a poetisa terá escolhido a própria data do seu aniversário para pôr fim à vida. Florbela casou aos 21 anos com Alberto Moutinho e aos 25 anos de idade matriculou-se na Faculdade de Direito em Lisboa, onde cursou advocacia.O seu verdadeiro nome era Flor Bela de Alma da Conceição. A sua vida tumultuada e inquieta teve uma  influência decisiva na sua poesia. A poesia de Florbela era forte e ousada, avançada demais para a época em que ela viveu. Era uma poesia marcadamente erótica e carregada de feminilidade. Florbela era filha ilegítima de JoãoMaria Espanca e de Antónia da Conceição Lobo. Seu pai só a  reconheceu como filha, alguns anos depois de ela ter morrido. Após a morte de sua mãe,o casal Espanca  criou-a como enteada, provendo o seu sustento e educação de forma a que nada lhe faltasse. Florbela tinha apenas nove anos de idade quando escreveu a sua primeira poesia a que deu o título A vida e a morte” Florbela foi a primeira mulher a frequentar o Curso de Direito na Universidade de Lisboa. Em 1919 ela sofreu um aborto involuntário e foi a partir dessa data que a poetisa começou a apresentar graves sintomas de desequilíbrio mental. Florbela desfez o seu primeiro casamento em 1921, mas voltou a casar-se logo no ano seguinte com António Guimarães de quem engravidou, voltando uma vez mais a abortar. Este seu novo casamento acabou igualmente por se desfazer. Estas tristes ocorrências agravaram-se sobremaneira com a morte de seu irmão, Apeles,por quem, segundo constava, nutria uma paixão secreta. A poetisa, apesar de todos os seus revezes anteriores, voltou uma vez mais acasar-se. Parecia que Florbela não podia privar-se do amor físico para poder realizar-se como mulher e como poetisa. Florbela era uma amante frenética e sôfrega, daí o podermos entender em boa parte a forma erótica que marcou a maior parte de toda a sua obra poética. O sofrimento, a solidão, o desencanto, aliados a uma imensa ternura e a um desejo de felicidade e plenitude que só poderiam ser alcançados no absoluto, no infinito, constituíram a temática veiculada pela veemência passional da sua linguagem. Transbordando a convulsão interior da poetisa pela natureza, a paisagem da charneca alentejana está presente em muitas das suas imagens e poemas. Foi só depois da sua morte  que a poetisa  se tornou conhecida do grande público, tendo contribuído para isso, a publicação da sua magnífica obra Charneca em Flor (1930)                                                                                                                                        

A SUA POESIA

 Languidez

Fecho as pálpebras roxas, quase pretas,
Que poisam sobre duas violetas,
Asas leves cansadas de voar…

                      E a minha boca tem uns beijos mudos…
E as minhas mãos, uns pálidos veludos,
Traçam gestos de sonho pelo ar

Fanatismo

Minh’alma, de sonhar-te, anda perdida.
Meus olhos andam cegos de te ver!
Não és sequer razão do meu viver
Pois que tu és já toda a minha vida!

                    E, olhos postos em ti, digo de rastros:
«ah! Podem voar mundos, morrer astros,
Que tu és como Deus: Princípio e Fim!…»

Cantigas leva-as o vento

A lembrança dos teus beijos
Inda na minh’alma existe,
Como um perfume perdido,
Nas folhas dum livro triste.

Perfume tão esquisito
E de tal suavidade,
Que mesmo desapar’cido                                         
Revive numa saudade!

Desejos Vãos 

Eu queria ser o Mar de altivo porte 
Que ri e canta, a vastidão imensa!
Eu queria ser a Pedra que não pensa,
A pedra do caminho, rude e forte!

Eu queria ser o sol, a luz intensa
O bem do que é humilde e não tem sorte!
Eu queria ser a árvore tosca e densa
Que ri do mundo vão é até da morte!

Mas o mar também chora de tristeza…
As árvores também, como quem reza,
Abrem, aos céus, os braços, como um crente

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