MENSAGEM DE FIM DE ANO, AO GOVERNO

           Saudação e Recado para 2012

 Nos últimos anos do Governo Socialista de José Sócrates, tornou-se perfeitamente claro que Portugal caminhava a passos rápidos para a ruína económica e que se encontrava já em verdadeiro estado de bancarrota. Não era necessário ser dotado de profundos conhecimentos de economia para se poder perceber isso. José Sócrates hipotecava dia a dia a soberania económica e financeira do país, para poder sobreviver politicamente. A estranha razão que levou os portugueses a assistirem impassíveis a essa grande desgraça, quanto a mim, deve-se ao estado de corrupção geral a que o Engº Sócrates consciente e determinadamente conduziu Portugal para poder alargar e garantir a sua base eleitoral. Verdadeiramente embriagados por uma chuva de benesses e mordomias, os vassalos fieis do 1ºMinistro acompanharam e aprovaram de alma e coração todos os seus actos e decisões. Legiões de boys e de girls transformados em homens e mulheres do “amen Sr. 1º Ministro”,  mantiveram todos os canais da corrupção perfeitamente oleados para servir o megalómano e imprevidente Sócrates, que era então verdadeiro senhor e rei dos destinos do país. Todas as vezes que o Governo ia aos mercados financeioros vender dívida pública para que em Portugal não faltasse dinheiro fácil para viver, poderia perceber-se claramente que a nossa soberania e o futuro de Portugal e dos nossos descendentes estavam a ser inconsciente e criminosamente hipotecados. Não se pode acreditar nem desculpar que um Governo responsável, dotado de técnicos habilitados nas suas Finanças e com um Presidente da República altamente preparado e instruído na área economico-financeira, pudesse estar a aceitar e consentir pacificamente que essa situação fosse possível. Hoje ninguém se quer retratar como responsável por esse desvario criminoso e pode perceber-se bem por quê. Valores mais altos e particulares se levantaram  e conseguiram sobrepor-se aos interesses da Nação. Os verdadeiros responsáveis  não só não assumiram as suas imperdoáveis faltas, como ainda hoje se procuram esconder nos  contornos brumosos de uma crise financeira internacional meticulosamente preparada para devorar as economias mais frágeis  dos países que estupidamente se endividaram.

Uma radiografia rápida mas rigorosa do nosso País, revela-nos até que ponto nos colocámos a geito para que a desgraça nos batesse à porta. Sem actividades primárias capazes de garantir a nossa subsistência, gastando sempre muito mais do que aquilo que se produzia, com a nossa agricultura morta, as nossas pescas abandonadas, sem um aproveitamento programado e firme dos nossos recursos naturais (nem sequer sabemos bem se de facto existem e qual a sua verdadeira dimensão ou valor efectivo) ficàmos à mercê dos nossos credores. Sem apelo nem agravo, condenados a perecer, recorremos à misericórdia de uma Troika que se tornou senhora absoluta de toda a nossa economia e que sem dó nem piedade nos  exige  uma disciplina terrivelmente dura e sufocante. O facto é que ainda hoje não sabemos se todo o nosso amargo sacrifício, poderá  cumprir e pagar a dívida que contraímos e que estamos a passar para a nossa descendência.  Isto é profundamente dramático e profundamente triste. Mas mais triste e revoltante ainda é poder perceber que no meio desta desgraça, há gente privilegiada que se movimenta à vontade e feliz em corredores de fartura e que consegue capitalizar a crise a seu favor.

Quando o Governo de José Sócrates caíu e só caíu porque Sócrates percebeu que a sua situação já era insustentável e saíu airosamente de lado, os portugueses não comprometidos com a situação suspiraram de alívio.  Ao aparecer no horizonte politico alguém, que podia consubstanciar uma esperança de mudança, alguém que pelo seu discurso eleitoral fazia renascer a ideia de que estávamos ainda a tempo de nos salvar, a grande maioria do povo português decidiu conceder-lhe um voto de confiança e determinou a sua vitória eleitoral nas urnas. Em boa verdade  as últimas eleições legislatives portuguesas tiveram o mérito de nos mostrar  até que ponto o país inteiro estava corrompido pelo Governo Socialista de José Sócrates. Os resultados deveriam ser mais expressivos e condenatórios e não foram, porque nas urnas o povo não demonstrou claramente a condenação do anterior governo socialista e foi necessária uma coligação de partidos para se poder ter uma maioria governativa. Brandindo habilmente o argumento  de que o estado social estava em risco o Partido Socialista influenciou fortemente o eleitorado e prejudicou o resultado do PSD. Nessas eleições Pedro Passos Coelho também foi muito responsável pelos seus resultados, pois a sua decisão desastrada de querer nomear, antes até de saber se seria o vencedor, Fernando Nobre para a presidência do Parlamento, um politico de ocasião, sem qualquer perfil para o cargo, criou um grande descrédito sobre a sua propria figura de candidato e fê-lo perder muitos votos. Tudo isto se passou num momento critico da vida da Nação, quando o país se encontrava já à beira do abismo e não tinha outra alternative a não ser a de recorrer ao F.M.I. Uma das medidas mais erradas do novo Governo foi a de ajudar José Sócrates a escapar à responsabilidade da sua criminosa governação. Não era aceitável que o fizesse, pois não lhe competia tal gesto, nem se encontrava mandatado para isso.   A calamitosa acção governativa do partido socialista, tinha um responsável directo bem identificado. Esse responsável era José Sócrates e havia matéria suficiente para que pudesse ser chamado a responder por isso na justiça.   A culpa de todos os actos criminosos voltou uma vez mais a morrer solteira, para que o autor pudesse conserver a sua imunidade política.                                                                                                                      Os portugueses sabem todos que Portugal foi saqueado por uma grande mafia política que quase esvaziou os cofres do tesouro publico. Conhecem-se os nomes dos verdadeiros autores desses saques e irregularidades ,mas todos eles se passeiam impunes pelo país, com os bolsos abarrotados de euros.  A verdade é que,se se pudesse fazer uma investigação séria e exaustiva dos milhões de euros que foram  transferidos para as contas pessoais dessas pessoas, em offshores, ter-se-ia a noção exacta do muito que foi saqueado por essas personalidades. A maior parte deles, são homens públicos de destaque social que pela sua influente condição política  ou pelos seus elevados relacionamentos, tiveram livre acesso à apropriação ilegítima de valores públicos, perfeitamente convictos que a impunidade política os livraria de condenações. A hemorragia financeira e os actos de desgoverno  a que Portugal esteve sujeito foram mais do que suficientes  para desestabilizar toda a sua fraca economia.

Causa porém muita revolta saber-se que essas insignes personagens continuam a ser dignas de grande  admiração e respeito público. Aventuro-me a pensar que o montante total de euros desviado para offshores não deve andar longe do valor do empréstimo que tivemos de solicitar à TROIKA.  A presunção de inocência a que, pela nossa lei, têm direito, fornece-lhes  uma protecção garantida. Assim sendo, a crise que agora nos aflige e que obriga o Governo actual a sufocar-nos e a sufocar a nossa economia, condenando-nos a uma grave e longa recessão e negando-nos o direito de poder viver em suficiência,não passa de uma falsa questão habilmente engendrada para esmagar a classe media e retirar-lhe os direitos penosamente conquistados através de longas lutas sindicais.

Perante tudo isto o povo tem, sem dúvida, o direito de perguntar ao Governo: – E os ladrões, os saqueadores, como ficam? Ficarão a rir-se com os bolsos cheios, ricos e refastelados, marimbando-se para Portugal e para os portugueses?    Premiados pelas suas espertezas e pele sua descarada ousadia e desonestidade? Trata-se de uma verdadeira injustiça e de uma tremenda monstruosidade.

Para além de alguns meros e aparentes actos de cosmética habilidosa, vamos continuar a ter um estado gordo apoiado num país pobre, com uma Assembleia da República excessivamente numerosa, toda votada a exercícios de dialética  vistosa mas inócua, uma classe política vivendo folgadamente e sem sacrifícios e um país sugado por um grande número  de autarquias, algumas delas injustificáveis,  e por fundações repletas de personalidades acomodadas, pois é já notório que teremos um Governo sem coragem e sem vontade política para enfrentar essas verdadeiras forças de bloqueio.

Que ao soar da última badalada de 31 de Dezembro de 2011, surja nítida e clara,  perante a consciência de cada homem e de cada mulher, de cada politico, de cada governante, a Carta Universal dos Direitos do Homem, a fim de que todos os responsáveis e todos os orgãos da sociedade a possam respeitar e cumprir com o que ela determina. Que se esforcem por respeitar esses direitos e liberdades, promover o bem estar geral e proclamar sem medo   e com perfeita convicção que todos os seres humanos nascem livres e iguais em dignidade e direitos e que devem agir uns para com os outros com espírito de fraternidade e que todos têm direito à liberdade e à segurança pessoal para que ninguém seja forçado a viver de forma discriminada que viole os direitos fundamentais reconhecidos pela Constituição e pela lei.

Na alínea 3 do  artigo 23º da Carta Universal dos Direitos Humanos está escrito: “Quem trabalha tem direito a uma remuneração equitativa e satisfatória que lhe permita a si e à sua família uma existência  conforme com a dignidade humana e completada, se possível, por todos os outros meios de protecção social.

A Carta Universal dos Direitos do Homem termina por dizer no seu artigo 30º,  que nenhum Estado ou indivíduo possui o direito de se entregar a alguma actividade ou acto, destinado a destruir os direitos e liberdades consignados nela.

 

A.S.Lopes

 

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