O Busílis da questão

Há uma classe relativamente grande que absorveu quase todas as gorduras do Estado. É essa classe que ainda subsiste completamente, que impede que o destino económico deste país mude de facto. Essa classe concentra nas suas mãos grande parte do poder económico e político do nosso país, desta interessantíssima República do 4º mundo. O Governo tem medo de tocar nela. Perfilam-se nessa classe os políticos, os gestores do Estado das empresas públicas, a quem é necessário contentar e garantir um estatuto preferencial. É nela que se concentra a atenção do Governo. São esses que têm direito a ter um estômago humano normal e a uma vida confortável e sem carências de qualquer natureza. São de facto a elite, são os amados intocáveis a quem se deve privilegiar e respeitar para além de quaisquer defeitos. Os outros, são uns coitados, uma espécie de párias com o direito a possuírem apenas pequenos papos de galinha, a quem basta garantir magras rações de sobrevivência. É a massa amorfa que apenas serve para garantir as bases eleitorais na altura das eleições que se consideram livres e democráticas. Massa bronca e estúpida que nunca aprende com os erros que comete e que vive na ilusão de estar a gozar de uma democracia plena. Esses mais não são do que as alavancas necessárias aos políticos, para alcançarem o poder que almejam e que os legitima para governar em autêntica injustiça e tirania. É esta massa amorfa de eleitores que vive entretida com coisas supérfluas a maior parte do seu tempo, que abre lugar à criação de verdadeiros tiranos que depois os atormentam e que negam ao povo humilde e aos trabalhadores o direito à simples suficiência e a uma vida digna. São estes insensíveis monstros políticos que causam as crises económicas, que geram a corrupção, que delapidam o tesouro da Nação, que praticam um vergonhoso compadrio (que gera a incompetência) , que vivem em insaciável ganância, produzindo os mais chocantes desequilíbrios sociais e que, numa palavra, minam e destroem qualquer tipo de sociedade justa. São ainda eles que impõem a injustiça e o sofrimento aos outros sem a menor contemplação. São eles que paralisam a justiça e que sangram o tesouro e os bolsos dos contribuintes. Defendem-se de todas as acusações dizendo-se legitimamente eleitos pelo voto popular dos eleitores. Nunca cumprem com o que prometem aos seus eleitores, ou fazem descaradamente o contrário do que prometeram. São estes que se impõem pela força utilizando a Polícia e a GNR para desmancharem às bastonadas todos aqueles que se manifestarem e não quiserem submeter-se silenciosa e humildemente à sua vontade. E assim se perpetua a vergonha dos escandalosos salários dos gestores públicos, o excesso de cargos inúteis e desnecessários e o câncer incurável do enriquecimento ilícito. Assim se adquire a liberdade de asfixiar a economia de um país e de pulverizar para sempre a sua soberania, transformando-o num espaço geográfico tutelado e amarrado de pés e mãos a uma hipoteca sem qualquer possibilidade de resgate.

E quem foram os verdadeiros responsáveis por este gigantesco drama que nos destruiu? Fomos todos, ou foram mais uns do que outros?

O autor 

  

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