Estória de uma gata vadia.

Vive em minha casa, cómodamente istalada uma gata vadia que soube cativar-me e conquistar um lugar ao Sol.

É uma gata sem raça, uma gata vulgar, mas eu acho que ela possui uma forte e invulgar personalidade.

Durante muitos anos da minha vida nunca achei graça aos gatos e sempre preferi os cães. Tive cães de muitas raças, durante a minha infância, quando meu pai possuia um grande quintal e um espaço mais do que suficiente para poderem andar á vontade sem nada os molestar ou aborrecer. Eram principalmente cães de guarda, à mistura com alguns  rafeiros simpáticos que asilavam no nosso quintal.

No nosso quintal havia sempre cadelas grávidas e cadelas a parir. Era uma verdadeira maternidade canina. Nesse tempo, felizmente, não era difícil dar cães  e os africanos apreciavam-nos muito e treinavam-nos para as suas caçadas. Gatos, eram raros, porque os cães também não lhes davam socego. Tínhamos dois ou três gatos nos nossos armazéns de milho para controlar os ratos. Isto no tempo em que os gatos, eram mesmo gatos e não havia refeições granuladas. Nessa altura os ratos eram de facto o alimento preferencial dos gatos. Com o tempo as coisas mudaram bastante e os gatos de hoje fizeram com os ratos um pacto de não agressão que pelos visto ainda prevalece. ainda.                                                                                                                             

Voltando á estória da minha  gatinha vadia mas aristocrática, vou contar-vos como tudo se passou e como se criou a nossa relação de amizade. Um dia estando eu no jardim, deparei com a súbita chegada de uma gata tigrada, com um ar muito famélico. Acenei-lhe para a enxotar do jardim, mas ela fingiu que não tinha percebido o meu gesto e resolveu começar a miar. Percebi então que ela deveria estar com  muita fome e que miava para me chamar a atenção. Resolvi por isso ir a casa buscar algo que ela  pudesse comer. Ao regressar ela estava ainda à minha espera. Não me deixou aproximar muito e  tive de colocar a comida no solo a uma certa distância de mim. Pela sua reacção percebi que ela estava de facto com muita fome. Resolvi chamar-lhe Loura por ser  amarela e tigrada. Depois de comer a Loura desapareceu silenciosamente e não a tornei a ver nesse dia. No dia seguinte por volta da mesma hora, a Loura estava novamente no jardim à minha espera. Voltei a alimentá-la e passou-se tudo como no dia anterior. A partir dessa altura a Loura compreendeu que tinha arranjado um amigo e nunca faltava aos encontros. Descobri então que ela vivia num apartamento semi abandonado, entrando sempre por uma janela mal fechada. Era aí que ela se recolhia para passar a noite. Nesse apartamento vivia um idoso meio paralítico que andava com muita dificuldade, a quem a Câmara tinha dado abrigo naquele apartamento. Quando por qualquer razão a Loura não aparecia eu chamava-a da minha varanda e ela aparecia imediatamente e vinha ter comigo.  Aos poucos começou a ter confiança em mim e deixava que eu me aproximasse dela sem fugir, até que um dia permitiu que eu lhe fizesse algumas festas. O gelo tinha quebrado e estávamos a colnfiar um no outro. Um dia a Loura entrou em cio e começaram a aparecer vários pretendentes. Um deles era um gato cinzento, muito feio e muito bravo. Um dia, em que ela estava perto de mim o gato aproximou-se um pouco mais de nós e eu estendi o braço para lhe fazer uma festa. O gato eriçou o pelo, bufou como um leopardo e fez menção de se atirar ao meu braço. A Loura não gostou nada da atitude do pretendente e sem que eu o esperasse atirou-se a ele furiosa e deu-lhe uma valente corrida. Esse gesto para mim, foi mais do que suficiente para que a minha simpatia por ela redobrasse. 

Um ou dois meses depois deste episódio a Loura começou a exibir uma volumosa barriga, sinal de que estava grávida. Quando chegou ao fim da sua gestação natural desapareceu e só a voltei a ver um mês depois já novamente fina e elegante, sinal que tinha tido a sua ninhada. Aonde teria ela tido os filhos era para mim um segredo, mas como ela vinha sempre da janela do apartamento deduzi que os tivera dentro dele. Depois de algum tempo, abordei o idoso e perguntei -lhe se ele não tinha lá uma ninhada de gatos. Respondeu-me que sim, que uma gata vadia parira lá, debaixo de um armário velho mas que nem sabia quantos filhos tivera. Pedi-lhe então que me deixasse ver os filhos da Loura para que eu pudesse escolher um gato para mim. Respondeu-me que se eu quisesse um gato tinha de ficar com a gata e com os gatos todos, porque ele ia deitá-los todos no lixo nesse mesmo dia. A chantage do velhote funcionou e eu acabei por ficar com a gata e com a ninhada toda. Felizmente consegui dar os gatos todos e fiquei apenas com um dos filhos e com a mãe.  Mãe e filho continuam a viver juntos em minha casa há mais de quatro anos. Esterelizei o macho e controlo a mãe com a administração de pílulas anti-concepcionais. São agora uns gatos felizes que se respeitam um ao outro como mãe e filho.

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