Café Amargo……pags. 335 e 336

fui muito injusto com vocês na  minha  forma de pensar.   Mas, depois que a Mariana me começou a assistir e de ter sido tão carinhosa comigo, arrependi-me e envergonhei-me de tudo o que pensei a vosso respeito. Foi uma lição que só agora, depois do meu acidente,  consegui aprender. Hoje sei que a Mariana é a mulher mestiça, por quem o Severino se apaixonou  e com quem deseja casar-se. Na minha grande teimosia, eu disse não ao vosso casamento, devido à minha intolerância, porque sempre  fui escravo das velhas tradições africanas. Há pouco, disse ao Severino que aprovo o vosso casamento, pois tenho a certeza de que o meu filho nunca conseguirá encontrar ninguém igual à Mariana.

─ Fico muito feliz, por ouvir isso da sua boca. Como se costuma dizer: afinal, mais uma vez, Deus escreveu direito por linhas tortas. Não pense que eu lhe guardo algum ressentimento pela atitude que tomou comigo sem me conhecer ainda. Se não se importar, a partir de agora, eu gostaria de  começar a tratá-lo por pai.

─ Não, não me importo mesmo nada, até quero que me trates dessa forma, pois  também eu, daqui para a frente, passarei a chamar-te  filha. Eu gostaria que amanhã, quando a minha mulher aqui vier visitar-me, acompanhada dos meninos, tu estivesses aqui comigo, para que eu vos  possa apresentar. Ela é muita amiga do Severino e tudo aquilo que possa agradar ao filho, lhe agrada também a ela. Ela soube do vosso namoro muito antes de mim, mas nunca discutiu o assunto comigo.  Tinha medo de abordar esse assunto, mas eu tenho a certeza de que ela já sabia do vosso caso. O Severino nunca teve segredos para a mãe e deve-lhe ter contado tudo. Eu penso que amanhã ela vai ficar muito surpreendida e contente com a volta que tudo isto levou.

─ Está bem, pai, eu virei aqui à hora da visita. Vai ser muito bom para mim poder conhecer a minha futura sogra.

    No dia seguinte de manhã, a mulher e os filhos pequenos de Bernardo chegaram ao hospital à hora das visitas. Os pequenos, modestamente vestidos, com camisitas de algodão e calções de ganga, calçavam umas pobres sapatilhas de lona branca. Tinham um ar muito humilde e asseado  e deixavam transparecer nos seus rostos uma grande vivacidade e alegria.  Assim que o ingresso das visitas à enfermaria foi autorizado, os garotitos e a mãe entraram em silêncio e dirigiram-se para o leito, onde o pai se encontrava.  Bernardo já os aguardava com  ansiedade, pois estava com saudades da mulher e dos filhos. O reencontro da família foi um momento de grande manifestação de carinho e alegria.

─ Como te estás a sentir, Bernardo? Os meninos estavam cheios de saudades tuas e não falavam noutra coisa senão na vinda ao hospital.

─ Também eu estava cheio de saudades deles e de ti. Hoje não sinto dores quase nenhumas na minha perna. O doutor que me fez a operação esteve aqui a visitar-me  ontem e disse-me que isto está a correr bem. Disse-me também que se tudo continuar assim, vai dar-me alta dentro de doze dias. Então, vou para casa, para perto de vocês até que me restabeleça completamente. O patrão Acácio já me disse que fico……..

 

 

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