Café Amargo ……. pags. 337 a 338

–  a  ganhar,  como se estivesse a trabalhar e que não me vai faltar nada.

Nesse preciso momento, chegou Mariana para poder conhecer a sua futura sogra e os pequenitos.

Joana Catata não a conhecia e por isso pensou que fosse apenas uma enfermeira. Ficou deveras espantada quando Mariana, dirigindo-se a Bernardo lhe perguntou: Então pai, como se sente hoje?

Olha, filha, hoje sinto-me muito melhor.

Que se passa aqui, Bernardo, que não entendo nada, perguntou Joana Catata, com um ar meio despeitado?

  Então esta enfermeira trata-te por pai e tu trata-la por filha? Que confiança é esta agora?

 Catata, sorrindo com um ar bem matreiro e divertido, respondeu: Olha, Maria, esta senhora mestiça é a Mariana, a noiva do nosso Severino. Tu também já a podes tratar por filha. Só ontem é que eu soube quem ela era. Foi o Severino que me disse. Ela tratou-me sempre muito bem, com muito carinho e paciência. É uma boa menina que muito me tem ajudado.  Dentro de algum tempo, assim que eu consiga andar, o nosso Severino vai  casar-se com ela. Eu resolvi aceitar o casamento deles, pois já não penso mais como pensava. Não quero estorvar a felicidade do nosso filho e quero que eles sejam felizes, porque merecem. O dia em que eles casarem vai ter para mim um valor muito especial, porque a nossa família vai crescer. Também te quero dizer que não  me oponho mais a que os meninos possam ir para a escola da aldeia do soba Kalupira, para aprenderem a ler e a escrever. Foi preciso  cair daquele mamoeiro da loja, para que tudo pudesse acontecer e para que eu aprendesse uma grande lição.  Tenho até de aceitar que houve nisto uma intervenção da mão de Deus. Olha, Joana, fui eu que pedi à Mariana que estivesse aqui agora para se poderem conhecer. Abraça-a e beija-a, porque ela vai ser também tua filha.

Foi Mariana que tomou a iniciativa de ir abraçar e beijar a futura sogra. Joana era uma negra humilde e tímida, que facilmente se embaraçava, por possuir uma natureza calma e passiva.

  Bernardo foi sempre melhorando e doze dias depois foi-lhe dada alta do hospital. A radiografia feita nessa data demonstrou que a fractura estava a calcificar bem e sem problemas. Podia ir para casa e passar um mês em repouso, andando apenas o indispensável com a ajuda de umas muletas.

  Dias depois de Joana e os meninos terem estado no Hospital a visitar Bernardo, Severino prestou as   suas provas de exame para enfermeiro. Como era de esperar, as provas foram um sucesso, pois Severino ficou aprovado com a excelente classificação de dezoito valores. Foi o candidato mais qualificado de todos quantos compareceram a exame. O mais importante, contudo, foi a proposta que logo lhe foi feita para ficar a trabalhar no Hospital e a remuneração que lhe ofereceram. A partir dessa data, Severino entrava, com o pé direito na sua nova vida profissional. Aquele era sem dúvida um grande marco de viragem na sua vida. O menino negro que tivera de lutar contra a própria vontade dos pais, para não ser matumbo e  para poder aprender a ler e escrever, tinha finalmente alcançado a sua tão desejada vitória. A determinação e a fé, com que soube  agarrar o seu sonho e lutar por ele, mudaram  totalmente o curso da sua vida…….

 

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