ANGOLANOS ….Uma realidade triste,,,,,,

Porque me parece que se trata de um interessante paradoxo e se  ajusta muito à realidade actual, decidi divulgar com a devida vénia este artigo no meu blog.

 

ANGOLANOS   –   SÃO  TÃO  POBRES,  QUE SÓ TÊM DINHEIRO

 Por  Edson Vieira Dias Neto

Uma realidade, triste... SÃO TÃO POBRES, QUE SÓ TÊM DINHEIRO

um artigo de  Edson  Vieira  Dias  Neto   (adaptado de um texto de  Cristovam Buarque.

Assenta que nem uma luva a esta Angola, ainda em plena “Acumulação Capitalista Primitiva”

“Em nenhum outro país os ricos demonstram mais ostentação que em Angola.
Apesar disso, os Angolanos ricos são pobres. São pobres porque compram
sofisticados automóveis importados, com todos os exagerados equipamentos da
modernidade, mas ficam horas engarrafados ao lado dos autocarros e
candongueiros do subúrbio. E, às vezes, são assaltados, sequestrados,
abusados e violentados no trânsito. Presenteiam belos carros a seus filhos
e não voltam a dormir tranquilos enquanto eles não chegam à casa. Pagam
fortunas para construir modernas mansões, desenhadas por arquitetos de
renome, e são obrigados a escondê-las atrás de muralhas, como se vivessem
nos tempos dos castelos medievais, dependendo de guardas que se revezam em
turnos.
Os ricos angolanos, usufruem privadamente tudo o que a riqueza lhes
oferece, mas vivem encalacrados na pobreza social. Na sexta-feira, saem de
noite para jantar em restaurantes tão caros que os ricos da Europa não
conseguiriam frequentar, mas perdem o apetite diante da pobreza que ali por
perto arregala os olhos pedindo um pouco de pão; ou são obrigados a
restaurantes fechados, cercados e protegidos por policiais privados. Quando
terminam de comer escondidos, são obrigados a tomar o carro à porta,
trazido por um manobrista, sem o prazer de caminhar pela rua, ir a um
cinema ou teatro, depois continuar até um bar para conversar sobre o que
viram. Mesmo assim, não é raro que o pobre rico seja assaltado antes de
terminar o jantar, ou depois, na estrada a caminho de casa. Felizmente isso
nem sempre acontece, mas certamente, a viagem é um susto durante todo o
caminho. E, às vezes, o sobressalto continua, mesmo dentro de casa.
Os ricos Angolanos são pobres de tanto medo. Por mais riquezas que acumulem
no presente, são pobres na falta de segurança para usufruir o patrimônio no
futuro. E vivem no susto permanente diante das incertezas em que os filhos
crescerão.
Os ricos angolanos continuam pobres de tanto gastar dinheiro apenas para
corrigir os desacertos criados pela desigualdade que suas riquezas
provocam: em insegurança e ineficiência. No lugar de usufruir tudo aquilo
com que gastam, uma parte considerável do dinheiro nada adquire, serve
apenas para evitar perdas.
Por causa da pobreza ao redor, os angolanos ricos vivem um paradoxo: para
ficarem mais ricos têm de perder dinheiro, gastando cada vez mais apenas
para se proteger da realidade hostil e ineficiente.
Quando viajam ao exterior, os ricos sabem que no hotel onde se hospedarão
serão vistos como assassinos de crianças na lunda, destruidores da Floresta
do maiombe em Cabinda, usurpadores da maior concentração de renda do
planeta, portadores de malária, de paludismo e de filaria.. São ricos
empobrecidos pela vergonha que sentem ao serem vistos pelos olhos
estrangeiros.
Na verdade, a maior pobreza dos ricos angolanos, está na incapacidade de
verem a riqueza que há nos pobres. A pobreza de visão dos ricos impediu
também de verem a riqueza que há na cabeça de um povo educado. Ao longo de
toda a nossa história, os nossos ricos abandonaram a educação do povo,
desviaram os recursos para criar a riqueza que seria só deles, e ficaram
pobres: contratam trabalhadores com baixa produtividade, investem em
modernos equipamentos e não encontram quem os saiba manejar, vivem rodeados
de compatriotas que não sabem ler o mundo ao redor, não sabem mudar o
mundo, não sabem construir um novo país que beneficie a todos.
Muito mais ricos seriam os ricos se vivessem em uma sociedade onde todos
fossem educados. Para poderem usar os seus caros automóveis, os ricos
construíram viadutos com dinheiro de colocar água e esgoto nas cidades,
achando que, ao comprar água mineral, se protegiam das doenças dos pobres.
Esqueceram-se de que precisam desses pobres e não podem contar com eles
todos os dias e com toda saúde, porque eles (os pobres) vivem sem água e
sem esgoto. Montam modernos hospitais, mas tem dificuldades em evitar
infecções porque os pobres trazem de casa os germes que os contaminam. Com
a pobreza de achar que poderiam ficar ricos sozinhos, construíram um país
doente e vivem no meio da doença.
Há um grave quadro de pobreza entre os ricos angolanos. E esta pobreza é
tão grave que a maior parte deles não percebe. Por isso a pobreza de
espírito tem sido o maior inspirador das decisões governamentais das pobres
ricas ?elites? angolanas. Se percebessem a riqueza potencial que há nos
braços e nos cérebros dos pobres, os ricos angolanos, poderiam reorientar o
modelo de desenvolvimento em direção aos interesses de nossas massas
populares. Liberariam a terra para os trabalhadores rurais, realizariam um
programa de construção de casas e implantação de redes de água e esgoto,
contratariam centenas de milhares de professores e colocariam o povo para
produzir para o próprio povo. Esta seria uma decisão que enriqueceria
ANGOLA INTEIRA – os pobres que sairiam da pobreza e os ricos que sairiam da
vergonha, da insegurança e da insensatez.
Mas isso é esperar demais. Os ricos são tão pobres que não percebem a
triste pobreza em que usufruem suas malditas riquezas”.

Adaptado de um texto de Cristóvam Buarque — KALIFADO DE PALMELA

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