ALTERAÇÕES CLIMÁTICAS PROFUNDAS ameaçam o homem.

A tendência comum da maioria das pessoas é a de pensarem que as grandes alterações climatéricas que ocorrem hoje com grande frequência em muitos países do mundo se devem  ao aquecimento global da Terra  provocado pela emissão cada vez maior dos gases de estufa resultantes da combustão dos combustíveis líquidos  usados  em motores de combustão interna e produzidas pelos incêndios de grandes superfícies florestais.  Ninguém contesta que estas imensas combustões  representam um dos grandes contributos para a emissão dos gases de estufa. São porém muito poucas as pessoas que  pensam ou têm sequer consciência,  que as  crescentes necessidades alimentares impostas pelo constante aumento demográfico do planeta são contudo e de facto uma das maiores causas do aquecimento global que provoca as grandes alterações climáticas. A agricultura intensiva emite mais gases com efeito de estufa do que todos os automóveis, camiões, comboios, barcos e aviões que enxameiam actualmente a Terra.   As grandes explorações pecuárias e agrícolas libertam para a atmosfera gigantescos volumes de metano e de CO2 e o contínuo corte e desmatamento de florestas tropicais com o propósito de alargar os terrenos destinados à agricultura e à criação de gado não só aceleram a perda da biodiversidade como absorvem uma desordenada utilização dos recursos hídricos que acabam mesmo por interferir nos lagos e nos rios alterando profundamente os ecossistemas existentes e desempenhando um papel fortemente nocivo, que via de regra interfere no equilíbrio e manutenção da vida selvagem  neles  existentes  há centenas ou milhares de anos e que, consequentemente, podem provocar a sua completa extinção. A procura e ocupação constante de mais e mais terras para cultivar é um imperativo que não cessa de pressionar o homem, pois já se prevê que, a meio do presente século, o mundo terá mais de dois mil milhões de bocas para acrescentar às seis mil e quinhentos milhões já existentes. Na tentativa de encontrar e utilizar mais solo cultivável que permita à humanidade satisfazer as suas crescentes necessidades alimentares os homens vão de certeza afectar o abastecimento de água e poluir simultaneamente os lençóis freáticos e os cursos de água. Libertarão também, mais gases com efeito de estufa e complicarão ainda mais o equilíbrio climático do planeta. Iremos infelizmente ter de assistir impotentes à alteração profunda de muitas paisagens despojadas da sua vegetação natural, sem que lhes possamos valer.  Lembro-me perfeitamente de um angustioso drama que vivi por duas vezes em África quando era criança. Duas terríveis pragas de gafanhotos que se contavam aos milhões e que se abateram com grande voracidade sobre a cidade do Huambo, dizimando toda a sua vegetação. A voracidade destes insectos era de tal natureza que nem as folhas  dos próprios eucaliptos escaparam à destruição. Como testemunhas vivas desse terrível drama apenas ficaram os troncos das árvores.  A praga só se extinguiu quando, nada mais tendo para comer, os imsectos morreram à fome. Será que também poderá estar reservada aos homens uma tragédia deste tipo? Quem o poderá saber? Que Deus nos livre de semelhante situação.

 Afonso Soares Lopes  

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