PODE UM CATO FUGIR DO SEU VASO…… um artigo muito oportuno do Prof. Universitário Dr. Soromenho Marques.

Pode um cato fugir do seu vaso?

Um artigo do Prof. Univ. Dr. Soromenho Marques                                               Publicado no Diário de Notícias em 24.10.2015

Reproduzo-o com a devida vénia no meu blog, para ampliar a sua divulgação.

Muitas vezes a arte consegue capturar numa intuição uma verdade que precisaria de um longo discurso para ser proferida. No Museu de Serralves, no Porto, com autoria da artista turca Nilbar Güres, encontra-se uma instalação exibindo um cato, com figura humanizada, em fuga de um vaso. Portugal bem poderia ser esse cato, constrangido pelo colete-de-forças em que se transformou a integração europeia e a zona euro. O desejo de fuga é legítimo. O problema é que os catos não têm pernas, tal como Portugal não tem os instrumentos de soberania para romper o poder exíguo para o qual  décadas de má governação o arrastaram.  Não temos soberania monetária nem cambial. Não temos um banco central autónomo. Não temos o poder bélico da França (tema que daqui a dois anos entrará, com grande probabilidade, no debate europeu…). Nem sequer ousamos renegociar o espaço de manobra dentro do vaso. Temos uma dívida colossal e o terceiro pior nível de investimento dos 28 países da União Europeia (um indicador claro de que estamos presos por arames). Temos, como preveniu há dias Teodora Cardoso, presidente do Conselho de Finanças Públicas, 4,5 mil milhões de euros em medidas orçamentais em falta (seja do lado dos cortes da despesa seja do lado do aumento da receita) para atingir o compromisso de redução do défice para o período de 2015 a 2019. Nos últimos meses, nem a coligação nem a oposição falaram desta austeridade suplementar já programada e calendarizada no âmbito do Tratado Orçamental. É mais fácil travar batalhas táticas dentro de casa para saber quem vai governar. O mais difícil será chegarmos a acordo sobre o modo como poderemos mudar a habitação dentro do vaso, ou sair dele, sem nos ferirmos nos próprios espinhos…

Comentário: Trata-se de um verdadeiro retrato de calamidade que parece ser insuperável. Portugal e outros pequenos países europeus ao procurarem participar naquilo que lhes pareceu ser uma quimera de salvação, deixaram-se acorrentar a um sistema que os está a aniquilar. Esta amarga realidade é muito mais preocupante do que a nossa crise política interna em conseguir ter ou não ter um governo que seja capaz de gerir o futuro político do país e poder  afirmar a sobrevivência de  Portugal como nação soberana e independente.  E se pensarmos que tudo se deve à ganância e ao egoísmo pessoal dos maus políticos que conduziram o país  depois do 25 de Abril e que só pensaram em si mesmos, nos seus partidos e nas suas mordomia, teremos justa razão para nos sentirmos escandalizados e traídos.

 

O pica pau angolano.  

 

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