L´ETAT C´EST MOI !

L´État c´est moi.

Nos séculos XV e XVI  muitos países da Europa viviam subjugados pelo tenebroso poder das monarquias absolutas. Quem determinava tudo e tudo mandava eram os reis. O poder absoluto dos reis não admitia nenhum tipo de contestação. Quem contestasse um rei lavrava uma sentença de morte e era eliminado. Com a Revolução Francesa acabaram-se as monarquias absolutas e as suas tiranias.

Luís XIV foi um monarca francês que personificou como nenhum outro o símbolo mais vivo do poder absoluto e praticou-o com profundo rigor. Felizmente, com a Revolução Francesa e o movimento iluminista francês, o poder absoluto dos monarcas caiu por terra e os reis pagaram por ele um preço bem doloroso e fatal.  Que o digam Luís XVI e Maria Antonieta que foram ambos guilhotinados. Luís XIV escolheu para símbolo do seu poder absoluto a imagem do próprio Sol, gerador de vida e de morte.

Em pleno século XXI as coisas estão totalmente mudadas, pois todo o poder deve  dimanar da vontade do povo, manifesta em plena e consciente liberdade. O poder passou então a ter de se encaixar nessa realidade. É esse o verdadeiro espírito democrático que legitima o poder nas nações democráticas.

Quando em pleno século XXI um governante, seja qual for a sua hierarquia política, tenta saltar sobre esta realidade, ou está louco ou pensa que pode reviver o absolutismo. Na primeira hipótese, trata-se de uma verdadeira insanidade mental. Na segunda, de uma inaceitável arrogância e vaidade. Espantosamente, parece estar a ser esta a triste figura do nosso actual Presidente da República.

Estamos em presença de um caso inédito e surpreendente, que tem de ser olhado com extremo rigor crítico por ser verdadeiramente imperdoável e configurar um verdadeiro fenómeno histórico, desenquadrado do quadro em que hoje devemos viver.

Cavaco Silva declarou já, de uma forma muito hipócrita, que são os superiores interesses da Nação que o movem a tomar semelhante atitude. Podemos perguntar então:-onde estavam os superiores interesses da Nação, quando Cavaco fechou completamente os olhos e consentiu que o 1º Ministro José Sócrates prosseguisse durante a sua legislatura, no endividamento contínuo do país de uma forma irresponsavelmente criminosa?  Onde estavam as grandes preocupações do nosso P.R. quando o Governo Socialista endividava perigosamente o país. Não  me consta que o P.R. como 1º Magistrado da Nação tivesse alguma vez travado o passo a esse perigoso endividamento. Hoje, tudo me leva a pensar, que essa sofismada atitude de indiferença fazia talvez parte de um plano para desprestigiar completamente a gestão governativa do Partido Socialista e com isso preparar  terreno político para dar uma vitória eleitoral ao PSD numas próximas eleições legislativas.

Apesar de quase todo o país perceber que o governo de José Sócrates não estava a ser nada saudável para a nossa economia e, porque muitos episódios demonstravam já que se estava a entrar num funesto clima de corrupção e de irregularidades, o nosso preocupado P.R. nunca denunciou a perigosa administração socialista e nunca contestou o Governo pelo risco a que o país estava a ser exposto. Seria por uma questão de estabilidade política tão do agrado presidencial, ou seria por uma questão de comodidade presidencial? Mas, logo que Sócrates saiu do Governo e rumou para Paris, Cavaco veio muito apressadamente dizer aos portugueses que Sócrates tinha cometido uma deslealdade institucional. Interessantíssima atitude, não foi? Mistérios de uma política estranha que não é dado a todos entenderem e que passam desapercebidos a muitos, mas não a todos.

Com todas estas atitudes anómalas, não me parece nada que Cavaco Silva possa ser de facto o presidente de todos os portugueses. Para mim, não o é. Pode ser talvez para muitos cidadãos ingénuos que não sabem interpretar tais atitudes.

Continuo a pensar que foi pena que estas últimas eleições legislativas não tivessem ocorrido depois das eleições presidenciais, pois não se passaria certamente o que agora se está a passar. Cavaco Silva parece estar a dar sinais de alguma senilidade mental. A sua atitude só dessa forma se compreende. Também não desconhecemos que Cavaco Silva foi um péssimo gestor dos grandes subsídios comunitários que foram concedidos a Portugal a fundo perdido na altura em que aderimos  à União Europeia e que acabaram por ser mal utilizados por aqueles a  quem foram indevidamente concedidos. Foi nessa altura que os portugueses foram aconselhados a abandonar ou a moderar a sua actividade agrícola e piscatória para não prejudicar os interesses de outros países comunitários. Cavaco desempenhou nisso um papel muito negativo para o nosso país atrofiando o nosso desenvolvimento. Os portugueses chegaram mesmo a pensar que tinham finalmente adquirido a árvore das patacas e que não precisavam de se preocupar muito com o seu desenvolvimento interno, porque se tinham encostado à sombra da bananeira e que os outros países ricos e desenvolvidos da União Europeia forjariam juntos a nossa segurança económica.

É quase consensual a sensação popular de que Cavaco Silva foi na realidade o governante que mais tempo se manteve em lugares políticos importantes e que mais prejudicou Portugal.

Depois das escandalosas atitudes partidárias que o P.R. tem tomado nos últimos tempos, impróprias de quem  jurou respeitar a Constituição, não me parece que se encontre moralmente qualificado para hostilizar e desqualificar os partidos de esquerda e de tomar uma atitude absolutista como se fosse dono de Portugal. O l´Etat cést moi já há muito que foi enterrado.

 

O pica pau angolano.

 

 

 

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