O ESTADO DA NAÇÃO

O ESTADO DA NAÇÃO

 Creio que qualquer português com um nível médio de inteligência e de memória viveu quatro anos de verdadeira  angustia, nas mãos de um Governo que optou por uma política de severa austeridade, que feriu profundamente  toda a classe média baixa, os trabalhadores e os reformados. A grande maioria dos mártires populares do Governo PSD/CDS, aguardou com dócil paciência as últimas eleições legislativas, única oportunidade que o poderia livrar do sofrimento a que o Governo o submeteu durante toda a sua legislatura.  Reparem bem que eu divido claramente a classe média alta da classe média baixa que na consideração do Governo foi sempre uma verdadeira classe mérdia que se prestou, com fraca reacção ou quase muda, a todo o tipo de insuportáveis injustiças. A classe média alta, essa pouco ou quase nada sofreu, porque uma grande parte dela, estava bem paga ou subsidiada,  pois em governos anteriores conseguira boas situações económicas e fazia parte das plataformas eleitorais dos partidos do arco da governação. Muitos eleitores votavam em verdadeira obediência aos seus interesses económicos, sem qualquer sentimento de solidariedade social e estavam politicamente vinculados ao partido que os beneficiara e lhes garantira uma vida de bom nível económico. Podemos então perceber, muito facilmente, que a sociedade portuguesa registava e regista  ainda uma forte desigualdade social, que pode facilmente garantir a um ou outro partido muitos votos eleitorais que o levem a ser governo.  Pergunto então: Será que esta forma de eleger um governo é  verdadeiramente democrática? Qual é  efectivamente a legitimidade para se poder dizer que um país possui um governo democrático quando em boa verdade o único e verdadeiro acto democrático se limita ao da campanha eleitoral e à votação (única ocasião em que os eleitores podem escolher em quem votar e votar de acordo com a sua preferência) A partir desse momento deixa de existir qualquer espírito democrático, face à possibilidade dos partidos poderem coligar-se para conseguir maiorias absolutas. Será que uma maioria absoluta, conseguida através de negociações partidárias, não referendadas pelos eleitores, tem algum sentido democrático. Para mim, todo o líder político que pedir uma maioria absoluta, ou procurar obtê-la por uma negociação partidária, demonstra logo não ser democrata e possuir, bem ao contrário, um  espírito de ditador. A falta de um verdadeiro espírito democrata manifesta-se imediatamente, com a vergonhosa derrocada de todas as promessas feitas aos eleitores durante a campanha eleitoral. Isto foi o que na realidade aconteceu com a última coligação PSD/CDS que ascendeu ao Governo. Um governo eleito dessa forma fica com as mãos livres para se impor ditatorialmente ao país. Não foi isso o que se passou com a coligação PSD/CDS que oprimiu sem dó nem piedade os portugueses mais pobres ?  Uma atitude bem antidemocrata da coligação foi sem dúvida a forma como se conduziu nestas últimas eleições legislativas, procurando desprestigiar os seus adversários políticos e amedrontando os eleitores com muitas ameaças de risco. Uma atitude imperdoável e imprópria de gente séria que se preze.

Dadas as circunstâncias económicas actuais, de que os políticos portugueses são os verdadeiros responsáveis, podem antever-se grandes e prolongados problemas para uma grande parte dos cidadãos portugueses. Estamos perante uma sociedade completamente desequilibrada em que os verdadeiros responsáveis escapam às consequências e ao sofrimento, tornando a vida praticamente impossível aos mais pobres e indefesos. Isto configura um país inviável, que apesar de possuir recursos naturais diversificados não os sabe aproveitar e dinamizar e têm de recorrer a diversos impostos para garantir um núcleo duro (demasiado grande e oneroso) de políticos e gestores públicos, sem outro préstimo que não seja o de conseguir  lavar a própria figura para fugir a responsabilidades. Esses políticos,  muitos deles incompetentes, outros corruptos e sem qualquer pinta de patriotismo, trabalham em seu próprio benefício servindo  simultaneamente dois senhores, defendendo interesses que nada têm a ver com o país e com os portugueses e com isso geram o seu volumoso salário.  Continuará portanto a parecer-me que a crise portuguesa é acima de tudo uma crise sui generis,  muito parecida com uma conspiração cujo  objectivo será destruir a classe media existente, começando de imediato pela classe média baixa e passando depois para a média alta.   O valor actual do trabalho, esse será também para destruir já.   O que eu não consigo perceber é a razão porque em Portugal não se faz a reforma do Estado e se protegem tanto as Instituições financeiras e a Banca.

Estamos perante uma realidade muito anómala que se pode definir da seguinte  forma: Portugal será um país pobre para a maioria dos portugueses e um país privilegiado para a sua volumosa classe política.

 

O pica pau angolano.         

 

      

 

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