GEOGRÁFICA E NATURALMENTE RICOS MAS EFECTIVAMENTE POBRES E ATRASADOS

Governar Portugal com sabedoria e honestidade poderia  fazer dele um dos mais prósperos  e    avançados países do Continente Europeu, para além de  poder transformá-lo num dos mais belos países da Europa, dando-lhe a possibilidade de ter uma quase inigualável  qualidade de vida.  Isto, porque o nosso território goza de facto de uma incomparável posição geográfica no extremo ocidental do continente europeu em que se insere, possui  um dos melhores e mais temperados climas  e abunda em contrastes paisagísticos e belezas naturais de grande e genuíno valor.                        

Todavia, há varias razões para contrariar esta maravilhosa realidade. A principal, só tem mesmo a  ver com a forma como o nosso país tem sido governado,  submetido á ganância à incompetência e à corrupção da sua classe governante. Duvido muito que ainda hoje os portugueses não conheçam as suas riquezas e os recursos minerais das suas entranhas geológicas. É triste, muito triste mesmo, sermos obrigados a saber que Portugal não tem tradições mineiras nem industriais. Quando Portugal foi dono e senhor de um grande império colonial criou uma indústria algodoeira e alimentar importante com a qual abastecia todo o seu Ultramar e que lhe garantia um forte nível económico. Com a guerra do Ultramar e o fim de todo esse imenso e garantido mercado, essas industrias mirraram e perderam quase toda a sua capacidade exportadora. Depois da perda do seu mercado o país começou a entrar em decadência económica. A entrada de Portugal na Comunidade Europeia esperava-se que fosse uma alternativa de compensação para nos restaurar da perda do Império. Isso porém não aconteceu devido ao grande desequilíbrio em que nos encontrávamos em relação à maior parte das outras economias da União e ainda à forma como as ajudas que nos foram dadas para corrigirmos o nosso desenvolvimento económico foram mal aplicadas e beneficiaram na maior parte dos casos, políticos,  governantes e industriais pouco escrupulosos, que viram nelas uma oportunidade para aumentar pessoalmente a sua fortuna e dominar o país. Essas generosas ajudas  comunitárias que se destinavam a modernizar equipamentos, instalações industriais e a apoiar uma maior formação profissional foram gastas a comprar carros novos, casas de férias, viagens e bens sumptuosos de consumo. Fieis à sua crónica vaidade e à sua falta de bom senso e de patriotismo os beneficiados decidiram usar tudo ou quase tudo em proveito próprio, julgando que as ajudas iriam manter-se sempre. Muitos chegaram mesmo a pensar que Portugal conseguira finalmente encostar-se à sombra da árvore das patacas e que, por arrasto, iria ascender ao nível económico  dos restantes países europeus. Alguém que todos sabem quem é, sem ser necessário nomeá-lo, e que pela sua grande preparação académica na área da economia, tinha nessa altura as rédeas do poder governativo nas mãos não soube ou não quis alertar o país para essa realidade e, de certa forma partilhou também da mesma convicção. Portugal é hoje o que é porque essas pessoas não tiveram visão nem amor verdadeiro ao seu país. Se ao menos as nossas asneiras e erros tivessem ficado por aí, teríamos tido capacidade para poder inverter a situação e teríamos podido fortalecer  a nossa economia, o que nos permitiria uma integração saudável e sem riscos.  Em vez disso enveredámos pelo endividamento nacional vendendo títulos de dívida pública aceitando encargos elevados. Com o tesouro nacional esgotado e os cofres vazios optamos pelas Parcerias Público Privadas para financiar as nossas necessidades de desenvolvimento, concedendo a empresas nacionais a possibilidade de enriquecimento fácil e rápido e reservando para o Estado a parte mais pobre e gravosa do negócio. Foi assim que transformamos o país num verdadeiro devedor inadimplente e nos colocámos nas mãos dos credores internos e externos.  Tudo isto se deveu à péssima gestão das classes políticas que nos têm governado.

Será justo, pergunto eu, que se tenha imposto aos contribuintes portugueses, através de uma austeridade cruel,  de impostos injustos  e de reduções salariais, a correcção para sanear uma  economia minada pela ganância, pela corrupção e pela incompetência dos governantes e dos políticos ? Haverá então  remédio para este mal crónico de Portugal? Quando relembramos o nosso passado político e procuramos vislumbrar o nosso futuro, ficamos totalmente desanimados por não conseguirmos antever seja o que for de animador. Parece-nos mesmo, que não é possível vislumbrar nada de bom, porque se houve alguma vez virtudes e coragem, lucidez e bom senso no nosso povo, tudo desapareceu para dar lugar à timidez, ao servilismo e à corrupção. Passámos incompreensivelmente  a ter uma fraca coluna vertebral que se ajusta e verga com extrema facilidade aos desejos dos mais ambiciosos e desonestos, dos mais corruptos e incompetentes. Nada mais é decidido e feito em função dos interesses do país e do povo, mas sempre para servir os oligarcas, que herdaram e sustentaram a continuação de  um moderno sistema feudal que infelizmente se enraíza  e se apoia no próprio Parlamento.  Para desmontar e demolir esse sistema era necessária a solidariedade firme de todo um povo e a coragem para exigir as mudanças e a destruição da partidocracia reinante. Sem essa determinação e sem essa coragem nunca iremos a parte alguma.

 

O Pica Pau Angolano   

  

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