COMENTÁRIOS SOBRE OS RESULTADOS DAS ELEIÇÕES PRESIDENCIAIS.

Alguns comentários sobre os resultados das últimas eleições.
Alimentei um grande sonho e sofri uma desilusão terrível. Pensei, talvez estupidamente, que nestas eleições presidenciais o povo português fosse finalmente capaz de acordar, pensar e reagir. Nada de mais errado. A ingenuidade e a falta de coragem voltaram a dominar os eleitores portugueses. Não tenho nada contra Marcelo Rebelo de Sousa mas nunca votaria nele. Sou capaz de admitir que Marcelo possa até vir a ser um bom presidente e que saiba olhar com muito interesse e justiça para os grandes problemas que tornam os portugueses infelizes e assombram a vida dos mais humildes, dos representantes da verdadeira classe média baixa. Gostaria imenso de poder acreditar nisso, para não ficar, mais uma vez, desiludido. Eu preferiria e acreditaria mais em Sampaio da Nóvoa, mas em boa verdade os portugueses não o compreenderam e não o mereciam. Sampaio da Nóvoa era uma verdadeira lufada de ar fresco e não contaminado. Era uma pessoa de grande formação cultural e moral que não possuía nenhuma conotação partidária e que nem a desejava. Mesmo que com o tempo se venha a provar que Marcelo será de facto inteiramente independente e que não revele qualquer inclinação partidária, o seu passado partidário de muitos anos, pode de facto perturbar a sua total isenção partidária. E se isso vier a acontecer, e a probabilidade for mesmo relativa, Portugal e os portugueses continuarão subjugados pelos partidos políticos e pelos interesses pessoais das máfias políticas que nos têm governado e estará condenado a perecer economicamente. Com Nóvoa na presidência e Marcelo no Conselho de Estado os portugueses podiam ter a garantia de que o P.R seria de facto um verdadeiro símbolo de isenção. Se porém, por qualquer razão agora oculta isso vier a acontecer e a isenção for violada, os portugueses  continuarão subjugados pelos interesses pessoais das máfias políticas que têm dominado o Governo até agora. Nas eleições legislativas anteriores os portugueses, se de facto pretendiam uma mudança, não o demonstraram, antes revelaram medo e subserviência. Acreditaram que votando no Partido Socialista estavam a arriscar os seus postos de trabalho, os seus salários e as suas pensões e dominados pela feia chantagem do PSD/CDS quase garantiram uma vitória absoluta à continuação da coligação que os esganava. E em vez de se colocarem ao lado do P.S. acentuaram a sua ilegitimidade, obrigando-o a recorrer a acordos com os partidos da esquerda para poder governar. A situação seria outra se o P.S. tivesse sido ajudado a obter uma vitória confortável que lhe permitisse formar um governo totalmente socialista. Isso não deixaria lugar às hesitações partidárias do P.R. e teria permitido a formação de um governo mais estável e aceitável para a maior parte dos eleitores. Nas eleições presidenciais de 16 de Dezembro os portugueses voltaram uma vez mais, talvez inconscientemente a fragilizar o governo actual votando na direita e na partidocracia. Essa atitude incompreensível vai, a meu ver, ter um preço muito grande e doloroso no futuro do nosso país, tornando-o muito mais frágil e menos respeitado pela União Europeia, facto que já estamos a perceber e que comprometerá o nosso futuro económico e quiçá o nosso crescimento.

O pica pau angolano.

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