EUROPA À PROVA …. um artigo de João Vaz no C.M. de 21.02.2016

Europa à prova

Comentário:    Permanecer ou não na União Europeia, eis a questão ?     A atitude  da Inglaterra se bem que estranha é perfeitamente compreensível. A Inglaterra é uma economia sólida que não aderiu à  União Europeia para resolver os seus problemas económicos ou financeiros. A sua situação não pode ser comparada à da grande maioria dos actuais países comunitários, que se integraram na União Europeia para corrigir as suas fragilidades económicas e financeiras. A Inglaterra é hoje uma das grandes potências europeias e o simples facto de ter enfrentado e derrotado a Alemanha nazi que esteve prestes a engolir toda a Europa durante a 2ª guerra mundial, confere-lhe um estatuto completamente   diferente ao da maior parte das outras nações europeias. É certo que a Inglaterra não esteve só nessa tremenda e horrorosa guerra, mas foi sem dúvida alguma a alma da vitória final. A Europa deve por isso a continuação da sua existência física e democrática à Inglaterra, porque sem ela, toda a Europa teria sucumbido à máquina bélica da Alemanha nazi. Por muitos anos que passem, esse facto foi uma realidade histórica indesmentível e inesquecível.  E desse modo a Inglaterra é credora do reconhecimento e gratidão de toda a Europa. Não se pode esquecer de forma alguma a ajuda colossal que, já quase no fim da guerra, os Estados Unidos concederam à Europa, sem a qual, teria sido praticamente impossível derrotar as potências do Eixo germano/nipónico. Se hoje existe uma União Europeia, a ela e à  América de então  se devem a sua existência. Reparem que sublinho bem a expressão, de então, pois pessoalmente considero que o espírito da América de hoje é completamente diferente do da América dessa época. A América de hoje é uma Nação que deseja controlar totalmente o mundo pelo seu esmagador poder económico e militar e que, para isso, se tem apropriado de quase todo o petróleo do mundo, por ter consciência que quem tiver nas mãos as fontes de energia do mundo, dominará também o mundo e consolidará a sua grandeza e o seu poder. A Inglaterra não teve qualquer necessidade da União Europeia para se tornar uma nação grande e próspera. Quando aderiu à União já era grande e próspera, embora o seu grande império estivesse já em declínio. A situação que hoje se passa com a Inglaterra é absolutamente compreensível. Podemos colocar as coisas de uma forma totalmente diferente e em muito poucas palavras. Não é a Inglaterra que precisa da União Europeia para se afirmar como nação. É  a União Europeia que necessita da Inglaterra para se poder legitimar como organismo de interesse europeu. Não podemos também minimizar uma outra importante realidade. A Inglaterra não pode ver com bons olhos uma União Europeia que se tenha colocado ao serviço dos interesses económicos da Alemanha e que essa nação pretenda representar um papel dominante no organismo europeu.  Algumas das pequenas nações europeias que não participaram  activamente no esforço e sacrifícios da 2ª guerra mundial, tais como Portugal, Espanha e a própria Grécia, podem ter de facto necessidade de se ampararem na União para afirmarem as suas soberanias e independências. Esse porém não é o caso da Inglaterra e de outras importantes nações europeias que participaram no esforço de guerra e sofreram os efeitos devastadores da guerra de 1939/45. Eu pessoalmente vejo o projecto europeu como um projecto muito comprometido, um projecto que não defende imparcialmente os interesses das pequenas nações e da Europa social e que mostra claramente estar ao serviço das nações que menos precisam de ajuda. Esta é a triste e amarga realidade da União Europeia e essa dura realidade transporta no seu bojo um perigoso princípio de implosão que a poderá destruir.

 O picapau angolano.

 

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