VERÕES ESCALDANTES E CATASTRÓFICOS

VERÕES ESCALDANTES E CATASTRÓFICOS

O Ano de 2016 tem mimoseado os banhistas portugueses e os turistas estrangeiros com um Verão super escaldante que lhes propicia umas excelentes festas, no paraíso turístico das belas praias da nossa extensa orla costeira. Uma temperatura de água maravilhosa,  um sol sempre presente, umas praias lindíssimas e uma gastronomia variada contribuem para  oferecer a todos um enorme prazer e alegria. Portugal oferece assim por um preço muito convidativo um turismo de qualidade, que não é fácil  encontrar no resto da Europa. Porém, o mesmo já não acontece no interior do nosso país, que nesta época do ano se encontra acossado pelos maiores fogos de sempre. A tipologia irresponsável da nossa floresta de eucaliptos e de coníferas, a criminosa falta de limpeza da floresta, a topografia do nosso terreno que a maior parte das vezes é montanhoso e acidentado, a falta de acesso fácil aos locais onde se declaram os fogos, as elevadas temperaturas próprias do Verão e a escassez de meios de combate, fazem com que tudo se  transforme num enorme e doloroso drama. Todos estes factos deveriam ser suficientes para fazer com que os nossos governantes se debruçassem com muito mais atenção sobre o problema e procurassem enfrentá-lo com uma determinação tenaz, capaz de lhe dar solução. No entanto, a verdade é que isso não acontece porque há sempre muito laxismo na forma como o Governo aborda a situação. Há que fazer perguntas muito sérias e amargas aos nossos despreocupados governantes, entre as quais realçamos as seguintes: Qual é a nossa política florestal se  de facto temos alguma? Porque é que se permite  a destruição da nossa floresta natural, tão rica e variada, substituindo-a pela plantação florestal de vastas áreas de coníferas e de eucaliptos, duas espécies, altamente perniciosas aos terrenos e extraordinariamente inflamáveis, mas muito queridas dos nossos madeireiros e fábricas de pasta de papel ? Qual é a lei que pune e como pune os infractores pirómanos que, a soldo ou não, se divertem incendiando florestas e destruindo propriedades? Havendo no país uma taxa tão grande de desemprego que afecta acentuadamente as regiões interiores, porque motivo se não conseguem limpar convenientemente as florestas para evitar tantos incêndios? Porque razão se permite que o remanescente das florestas queimadas possa ser vendido a preços de ocasião a madeireiros e às fábricas de pasta de papel? Porque razão não se cria um imposto de risco sobre essas transacções cujo resultado possa reverter  a favor de quem tenha perdido os seus bens, para minorar as suas perdas? Porque razão não se modernizam e ampliam os equipamentos de combate ao fogo, não se criam mais e melhores vias de acesso às florestas e pontos de rápido e abundante abastecimento de água? Creio que o valor dos prejuízos reais causados pelos fogos que não se extingam rapidamente é muitas vezes superior a todos estes melhoramentos que cito. Sobressai de tudo isto uma triste verdade, é que os nossos governantes se habituaram a tratar destas tragédias com os paninhos quentes de ocasião, economizando sempre e irresponsavelmente sobre a desgraça alheia.                                                                E, como o nosso povo chora as suas desgraças muito mais do que exige e reclama do seu governo, acaba tudo pacificamente lavado em lágrimas. E para os anos seguintes haverá sempre mais fogos e tragédias. E assim teremos todos os anos os espectáculos pirómanos de sempre que darão excelentes fundos vermelhos às nossas cadeias televisivas. Será que a impunidade política não tem nada a ver com toda esta desgraça?

 

O pica pau angolano      

  

   

 

 

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