ATÉ QUANDO E ATÉ ONDE ?

Até quando e até onde poderá a União Europeia condescender e perdoar-nos os nossos repetidos Défices. ? Ao fazê-lo, irá certamente perceber que não temos qualquer capacidade para restaurar a nossa economia e que nunca seremos capazes de lhe pagar o que devemos. Terá então de pensar que algo está profundamente errado no nosso país e que Portugal não se consegue gerir. Ao pensar assim, está a pensar acertadamente. Foi um  grave erro investir tanto num país subdesenvolvido, da natureza do nosso, sem ter tomado as precauções necessárias. Todos nos podemos recordar que a C.E.  fez chover generosamente sobre Portugal milhões de euros, para que nos pudéssemos preparar e equipar, sem ter tido a mínima cautela de fiscalizar a aplicação dessas grandes ajudas. Todos sabemos também, quem foi que absorveu a maior parte desse volumoso dinheiro   e de que forma foi aplicado. Os seus afortunados beneficiários nunca foram chamados a responder pelos grandes valores que receberam. As ajudas que a C.E. nos concedeu vinham a fundo perdido mas tinham um propósito sério. No entanto poucas terão sido realmente utilizadas para propósitos de desenvolvimento. Encharcados subitamente em euros os nossos governantes e políticos passaram a viver numa opulência inusitada e concorreram para que o nosso povo passasse a admitir que tinha o seu futuro garantido para sempre. Inaugurou-se assim em Portugal a  generosa era do à sombra da bananeira. Para quê trabalhar e produzir, se tínhamos entrado no clube europeu dos ricos e podíamos beneficiar da abundância e da segurança do grande bloco comum europeu? Havia coisas muito maios interessantes para fazer. Viajar, conhecer mundo, aproveitar a boa gastronomia portuguesa, banhar os corpos nas belas praias da extensa costa portuguesa, aproveitar o sol e dourar a pele,  adquirir novos e potentes carros e belas casas de férias, colocar dinheiro grosso em contas de offshore. Que melhores investimentos pessoais se poderiam fazer?  Ao conseguir fazê-lo deixaram de se preocupar  com o futuro e o crescimento do país,  com a garantia de um melhor mercado de trabalho para os trabalhadores e com uma melhor  economia geral para o país. Aqui e assim se podem retratar amplamente quais foram e quais são os verdadeiros culpados do estado em que Portugal se encontra hoje e de que não conseguirá sair facilmente sem grande sofrimento para o povo.  

Não devemos, por isso, olhar para a União Europeia e responsabilizá-la pela situação que estamos a passar.

Tenho a perfeita percepção de que a desgraça de Portugal começou em 1974, quando todo o nosso imenso império ultramarino foi esfarrapado e vendido e quando o nosso exército se aliou aos comunistas para executar esse vergonhoso processo de liquidação. Ao terminar a 2ª Guerra Mundial, como era de esperar, a política mundial sofreu uma alteração profunda e o colonialismo sucumbiu. Tinha chegado o momento de poder ajustar contas. As potências vitoriosas disputaram o mundo e precisavam de votos na ONU para acentuar o seu poder. Tanto a América como a Rússia, envolvidas já  na guerra fria, desejavam superar-se e obter na ONU o maior número de votos. Para os conseguir ajudaram muitos territórios coloniais a obterem a sua independência e a tornarem-se nações.  Como pequena potência militar que sempre foi, Portugal não tinha condições para se impor a esta grande mudança na política mundial. O colonialismo não tinha qualquer possibilidade de sobreviver e os países dominados por ele romperam as suas amarras e transformaram-se em nações independentes. Todavia essa transição, no caso português, deveria ter sido feita de uma forma que preservasse vidas e valores. Não o foi e viu-se então, que os próprios portugueses, que tinham parentes no Ultramar e que durante uma profusão de anos beneficiaram da opulência e das riquezas ultramarinas, nada se importaram com o que pudesse suceder aos seus parentes africanos e aos próprios angolanos e apoiaram indirectamente uma nova política que os condenava ao abandono e ao risco de morte.  A forma como o governo português do Estado Novo geriu todo o seu ultramar não foi nunca do agrado geral das populações que nele viviam, incluindo os próprios portugueses que aí permaneciam. O direito à autonomia política deveria ter sido automaticamente reconhecido depois da guerra e o processo de ascensão à independência deveria ser encorajado e acompanhado de forma segura fazendo com que a situação pudesse contrariar a cobiça das nações que tinham os olhos colocados nas  grandes riquezas naturais desses territórios e cujo propósito verdadeiro, era poderem explorá-las em seu proveito  envolvendo-as num projeto neocolonialista O território de Angola, devido às suas vastas reservas em petróleo, em ouro e em diamantes foi a presa mais atacada e deu origem ao país que se denomina hoje República Popular de Angola, onde a palavra democracia perdeu o seu verdadeiro significado.

O Pica Pau Angolano

 

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