PORTUGAL ESTÁ GRAVEMENTE ENFERMO

PORTUGAL ESTÁ GRAVEMENTE DOENTE

Portugal está doente e os portugueses estão ainda mais doentes do que o próprio país. Não é por falta de médicos, mas na verdade os nossos médicos( políticos) não prestam e apenas são capazes de se tratar a si mesmos e bem. Todos os sintomas apontam  para um diagnóstico simples mas dramático. Uma doença crónica tão ou mais ruim do que um câncer. Ninguém se preocupou com isso e a negligência conduziu o câncer a uma metástase geral e incontrolável  que breve nos irá matar.  Éramos um belo país soberano e respeitado, gozando de um excelente clima e de belas  paisagens, com muita cultura e velhas tradições, uma gastronomia requintada, vinhos de inigualável paladar, um Sol radiante, um ar limpo e saudável, uma  terra conquistada aos infiéis  a golpes de espada e com gestos de indomável coragem, com o desejo permanente de alargarmos os nossos horizontes geográficos  para bem longe, para os lados do Sol Nascente. A nossa história, escrita a sangue, com suor e lágrimas,  inspirou os Lusíadas, que, depois da Eneida, nada de mais nobre e belo se escreveu que se conseguisse igualar às epopeias da Grécia antiga. Que nos aconteceu então para que nos afundássemos desta triste e vergonhosa maneira? Como puderam os nossos heróis desaparecer,  no decorrer de poucos séculos e dar lugar a  uma multidão de traidores e de cobardes, que desbaratam o património de  valor pátrio que lhes foi legado? Como podem estar a conduzir o país a esta trágica desgraça, que por certo nos  transformará em breve num pequeno e insignificante protetorado, classificado num ranking de lixo económico, que só  sobreviverá  se os seus credores dele se condoerem e lhe perdoarem as grandes dívidas ? Que poderemos esperar desta multidão de políticos portugueses que se pavoneia, nos corredores dos Passos Perdidos? Durante muitos anos os portugueses viveram oprimidos por uma ditadura férrea que lhes negou o direito de  viverem em democracia. O Golpe Militar do 25 de Abril, se tivesse sido de facto uma revolução popular, poderia ter sido o  grande despertar, a solução que todos ansiávamos e que nos  teria permitido construir um Portugal bem diferente, mais justo, mais humano, destituído por completo das desigualdades desumanas em que estávamos a viver. Porém, isso só não foi  possível  porque a classe política nunca abdicou do seu grande egoísmo e quis conservar ciosamente os seus privilégios, considerando-os intocáveis e  mantendo-se  profundamente distanciada de uma repartição equitativa e justa de salários e pensões. Se isso tivesse acontecido  o poder de compra e a qualidade de vida dos portugueses teria sido bem diferente e a justiça e os deveres seriam iguais para todas as classes sociais. O nível económico das famílias seria também bem diferente,  e elas jamais estariam condenadas a submeter os seus descendentes à  uma pobreza extrema que continua a abater-se implacavelmente sobre os mais jovens e sobre os mais velhos, fazendo deles verdadeiros infelizes que  sobrevivem indignamente e precariamente no limiar da pobreza. A prática desta política estúpida e aleijada condenou milhões de pessoas à fome e à miséria e proporcionou  aos ricos uma vida de abastança que lhes permite enviar generosas poupanças para  paraísos fiscais. É muito difícil, senão impossível, construir uma sociedade justa,  estável e capaz de crescer sem grandes conflitos sociais, sem suprimir  as grandes desigualdades que as atingem e desgraçam. Há ainda vários fatores que impossibilitam por completo  a resolução do nosso problema, sendo um dos mais importantes o facto da Justiça portuguesa não ser imparcial na forma de tratar  os cidadãos e de lhes aplicar duas medidas diferentes. Uma medida para ricos e uma medida para pobres. Acresce também o facto de existirem dois regimes fiscais, um para ricos e patrões e outro para pobres e empregados.  Os ricos e patrões  possuem recursos suficientes para se poderem defender contratando advogados hábeis que exploram todos os buracos da lei e que recorrem a manobras dilatórias que suprimem ou atenuam as sentenças. Os pobres e os trabalhadores não possuem meios nem recursos para o fazer e sofrem tudo com muito mais rigor e  sem atenuantes. Quando se trata de governantes a Justiça é obrigada a respeitar imunidades políticas e os responsáveis pelos erros acabam muitas vezes, escandalosamente ilibados, ou os seus processos arrastam-se de forma a poderem prescrever. Creio que nada disto se passaria num Portugal que não estivesse  a viver dentro de um paradigma político totalmente errado que contraria todos os valores democráticos. Poderia eventualmente  funcionar se os nossos políticos fossem de facto pessoas competentes, patriotas, justas e honestas que não se deixassem corromper e  amassem o seu país. Infelizmente não são e isso explica-nos tudo.

O Pica Pau Angolano  

 

 

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