Um acto de inteligência animal. Uma pequena história que me dá prazer contar.

UMA PEQUENA HISTÓRIA

 Ontem o meu sincero amigo Bolitito pregou-me um grande susto. Pensei que o tinha perdido para sempre. Como é estranho o sentimento de profunda amizade que se pode formar entre um homem e um cão! Quando pensei que o tinha perdido para sempre desenvolveu-se no meu coração um enorme sentimento de angústia. Recolhi-me a casa abatido e triste depois de o  ter procurado em vão, no escuro da noite e no emaranhado das ruas do Barreiro. O meu maior receio foi o de que ele tivesse ousado atravessar o nó rodoviário da via rápida do Barreiro e que aí tivesse sido atropelado. Cheguei até a percorrer a via rápida, no sentido ascendente e descendente, procurando por algum sinal de animal atropelado. Nada encontrei e sosseguei um pouco em relação à hipótese de uma tragédia desse tipo.  Este meu cãozito tem o mau hábito de não querer entrar no carro para regressar a casa depois de o deixar andar em liberdade em qualquer parque. Gosta é de correr atrás do carro para regressar a casa e já me fez passar por  algumas situações de vergonha, porque algumas pessoas pensaram que eu  estava a procurar livrar-me  do animal. Pois ontem, teimou mais do que nunca e não quis entrar no carro para regressarmos. O caso passou-se por volta das 17:30h no espaço verde e ajardinado junto ao mar, que fica situado acima da rotunda do Continente, onde estivemos cerca de uma hora para assistir ao por do Sol. Começava a fazer-se noite e a fazer algum frio, quando resolvi dali sair para recolher a casa. Apesar de todos os chamamentos e de todos os esforços que fiz, não consegui metê-lo dentro do carro. Queria, como quase sempre, correr atrás do carro. Supondo que logo se cansaria e que mudaria de atitude, entrei no carro e  em marcha lenta rodei até à estrada que passa em Stº André, tendo parado o carro várias vezes e aberto a porta para ele entrar. Nunca me obedeceu.  Fui depois até ao parque do LIDL onde voltei a tentar novamente fazê-lo entrar, sem nada conseguir. A coisa já me estava a aborrecer. Rodei então pela estrada que passa em frente à bomba de gasolina da BP em direção ao parque da Renault. Parei no caminho por duas vezes e de novo,  abri a porta para que entrasse. Houve até um casal que resolveu vir ajudar-me a meter o cão no carro o que foi absolutamente impossível. Tão de pressa se aproximava da porta, como logo fugia, tendo mesmo ladrado à senhora que o procurava agarrar. Voltei a subir para o parque do LIDL. Mesmo assim nada consegui.  Parti então em direção ao eixo viário e de repente deixei de o ver. Não mais o voltei a ver.  Considerei-o perdido.

Procurei-o insistentemente por toda a parte até às 23:00h  sem resultado algum.                                                                                                                                      Hoje de manhã por volta das 11:00 voltei ao parque da Recosta numa última tentativa para o encontrar, depois de ter feito um apelo público pelo meu blog e pelo Face Book. Ao chegar ao último local onde estivera com ele na véspera, surgiu de repente a correr de debaixo de um carro onde certamente terá passado a noite. Abri a porta do carro e ele saltou logo para dentro, como louco, a ganir de contente e a sacudir o seu resto de cauda, lambendo-me as mãos e o rosto de satisfação. Também eu senti  nesse momento uma súbita e inusitada alegria. Esclareço que, do ponto onde o cão me desapareceu até ali, havia uma longa distância de pelo menos 3 km a percorrer. Na sua cabecita era a única referência que tinha para me poder encontrar. Conclusão, ele voltou para trás durante a noite, até ao parque onde tínhamos estado.  Foi espantosa a forma como o animal se comportou para me poder encontrar novamente. Nunca imaginei que fosse capaz de um acto tão inteligente.

 

Afonso Soares Lopes

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