CARTA ABERTA DE UMA PORTUGUESA AO NOSSO P.R. QUE EXIGE RESPOSTA SÉRIA.

Carta aberta de uma portuguesa ao nosso P.R.

 “Caro Presidente Marcelo,

Confesso que já não suporto mais ouvi-lo dizer que tudo está bem. Que temos estabilidade. Que o país está a crescer… Deste governo que nos mente descaradamente para se manter no poder, não esperava outra coisa. Mas de um Presidente da República que dizem ser de afectos pelo seu povo, decididamente…. Portugal, a partir de 2016, aumentou a dívida em mais 14 mil milhões. São 51 milhões de euros POR DIA contra 19 milhões em 2015, que outros estavam a baixar. Como pode dizer que o país vai bem, de sorriso rasgado na  cara, se com crescimento quase nulo, quase triplicamos a dívida, só com despesa directa do Estado? Como pode também encobrir o embuste do défice, feito à conta do registo dos gastos directamente na dívida, sem passar pelo orçamento? Porque teima, juntamente com eles, nos iludir?

Eu sou mãe. E sei que afecto é dizer “não” no momento certo. Que um “puxão de orelhas” faz parte de “pôr no bom caminho”. De si, esperava que obrigasse a corrigir a trajectória de quem nos empurra, de novo, para o abismo de 2011. Que ao invés de passar a mão na cabeça de quem governa sem responsabilidade, lhes retirasse algum ar naquele ego inflado que, com sua benção, não se importam com a herança que deixam de miséria aos nossos filhos. Se viajasse mais cá dentro, saberia que os hospitais estão em ruptura  financeira. Que as escolas também. Que os transportes parecem dum país do terceiro mundo. Que 99% do tecido empresarial são empresas privadas sufocadas por impostos e caucionadas por falta de tesouraria, graças às cativações grotescas do Estado, que finge ter tudo  controlado. Que a classe média suportou no OE 2016 um aumento obsceno de impostos e vai voltar a suportar mais um, no OE 2017, só para manter vivas e de boa
saúde, as clientelas deste governo. Viajar pelo Mundo, quando se tem um país como este, moribundo, não é afecto. É abandono.

E seu afecto infelizmente, não é pelo seu povo. É pelos ilusionistas deste governo, que já por tradição, nos penhoram a vida sem vergonha na cara. Quem nos vai valer a seguir? Que vai dizer aos credores de Portugal, aqueles que nos põem comida na mesa e que tanto desprezam, quando lhes faltar a paciência? Que podem continuar a nos emprestar mais dinheiro porque somos um povo afectuoso? Quando a estabilidade não depende só de nós, não devemos brincar com ela. Porque este país não é a Legolândia e nós, Presidente Marcelo, não somos bonecos.

Se a presidência é como ser um árbitro, permita que lhe diga: está a deixar marcar golos com as mãos. E isso é batota que vai sair cara ao orçamento doméstico de cada português. É só.

 Mais uma vez.

 Cristina Miranda….  Viana do Castelo, em 20.12.2016

 

Comentário:mais um desabafo de indignação que marca bem a discordância com as afirmações irresponsáveis de alguém que, devendo ser a figura e a autoridade política mais séria, mais autêntica e mais responsável do nosso país, não quer reconhecer a nossa marcha irreversível para um abismo económico jamais imaginado. Quem irá afinal pagar a nossa dívida, que cresce exponencialmente dia após dia? Se a União Europeia e o Banco Europeu inexplicavelmente nos perdoarem a dívida e o laxismo com que a encaramos e em que dia a dia nos vamos afundando, que preço teremos de pagar por isso?   Os portugueses precisam de uma resposta honesta. Alguém tem de responder a esta inquietante pergunta o mais depressa possível.

 

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