QUEM PODE AFIRMAR COM VERDADE……………..QUE SOMOS UMA DEMOCRACIA REPRESENTATIVA?

QUEM PODE AFIRMAR COM VERDADE ?

 Quem pode afirmar com verdade que o sistema politico em que vivemos é uma democracia representativa? Se considerarmos o grande nível de abstenção que se verifica em todos os actos eleitorais das nossas eleições, o Parlamento Nacional não é mesmo  representativo e os deputados que  o constituem não foram legitimados para representar o povo e o pais. Os partidos políticos que o formam e os deputados que nele se assentam, não são por isso legítimos representantes do povo português.  Poderá sem duvida argumentar-se que os abstencionistas se desinteressaram de votar. Porém a questão verdadeira é saber-se o porquê dessa  atitude. Em Portugal tem-se vivido sempre de costas voltadas para o povo e para os seus verdadeiros interesses, que são em boa verdade os interesses do país. Isso leva-nos a entender que o povo não tem qualquer fé no sistema eleitoral português e não se revê na sua classe política actual. Haverá razões para isso, ou não passa tudo de ignortância, desleixo, desinteresse e comodidade? O que tem feito a classe política portuguesa para se conseguir credibilizar aos olhos dos eleitores? Corrompe-se cada vez mais e serve mais do que nunca os seus interesses particulares, fazendo do Parlamento uma verdadeira casa de negócios. É normal constatarmos que a maioria dos deputados não possui qualquer bom senso e experiência politica e que ao mesmo tempo lhes faltam, carácter, ponderação, competência,  transparência e  honestidade. O seu comportamento é sempre bitolado por rígidas regras partidárias que visam em primeiro lugar garantir votos que consolidem a preponderância do partido, a sua segurança e compensação pessoais. Acima de tudo, acima do povo e até acima do país, há que assegurar as  suas carreiras pessoais e todas as suas vantagens e mordomias. As vergonhosas subvenções vitalícias a que terão direito no final dos seus mandatos são uma delas, senão a mais escandalosa de todas. Como esta é de facto a maior das suas preocupações pessoais, a sua presença e permanência na Assembleia  Nacional destinam-se mais a criar quórum e a papaguear de vez em quando algumas trivialidades, do que a representar os verdadeiros interesses do país e do povo. E este será, sem dúvida, o mais fácil e mais inócuo dos seus comportamentos e dos seus deveres. Outras coisas muito mais importantes e mais danosas terá possibilidade de fazer qualquer deputado se tiver habilidade e coragem para isso. O estatuto de impunidade que lhe é garantido durante o exercício da sua actividade no Parlamento, mesmo que danosa para os eleitores contribuintes, é uma espécie de sabonete que tudo lava e que garante não deixar manchas de qualquer natureza. Portanto a passagem de um elemento destes pelo Parlamento é um tipo de emprego privilegiado garantido à classe política, que faz da maioria dos deputados, uma espécie de sanguessugas sem valor prático para o povo e para o país. Não me parece mesmo nada, que dentro deste paradigma político em que os portugueses teimam em viver e que serve escandalosamente a nossa mafiosa classe política, se possa sair da cepa torta, corrigir défices e construir um estado democrático decente, capaz de garantir a sobrevivência da nação e uma soberania e economicamente saudável. Para onde caminhamos afinal e o que é que se pretende corrigir e construir? O mais interessante de tudo é que, quando morre um político ou um ex-governante, assistiremos sempre à mais impressionante operação de lavagem da sua personalidade e da sua carreira e faremos dele um santo que todos louvarão, mesmo que a sua acção e desempenho político possam ter merecido  muitas críticas justas e tenham sido até danosas para o país em determinadas alturas e circunstâncias. É a altura mais apreciada pelas conhecidas carpideiras políticas que choram abundantes lágrimas de crocodilo, que gostam de exibir as suas conhecidas carantonhas e de fazer os seus mais inflamados discursos fúnebres de louvor político, para branquearem a memória do defunto, sentindo nisso grande conforto pessoal.

 

O Pica Pau Angolano        

 

 

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