TRANSFERÊNCIAS DE FIGURAS DE PROA DE LUANDA ATRAVÉS DO DUBAI CASAM MAL ESTAR

Espírito Santo – Transferências de figuras de proa de Luanda através do Dubai causam mal-estar

Envolvimento de elite no caso BES alarma Angola

Depois do caso Manuel Vicente, um novo soco no estômago dos angolanos foi desferido com a divulgação pela SIC, há uma semana, do desaparecimento de mais de 300 milhões de dólares saídos do Banco Espírito Santo Angola (BESA).

A origem destes valores, atribuídos na reportagem ao general Manuel Vieira Dias “Kopelipa”, chefe da Casa Militar do Presidente angolano, está a levantar suspeitas em sectores da sociedade civil. O mesmo já havia acontecido quando foram divulgados os nomes de algumas figuras de proa do regime que haviam beneficiado de empréstimos milionários do BESA, que acabaram por não ser pagos e penalizaram as contas do BESA – e do BES.

“Quando não se honram compromissos com os bancos ou se desvia dinheiro de forma massiva, como tem sido feito no nosso país, estamos perante um sério caso de psiquiatria, que remete Angola no estrangeiro para a condição de indígena” disse ao Expresso Amável Fernandes, antigo comissário político das FAPLA.

Segundo dados revelados pela reportagem da SIC, a operação de transferência do dinheiro para o Dubai terá sido facilitada depois do chefe do serviço de segurança da Presidência e um dos homens de maior confiança de Eduardo dos Santos se ter convertido em accionista do BESA através da Portmil. Nesse tempo, o extinto “Semanário Angolense” publicava uma ilustração do casal a dançar com o título: “Esta farra nunca mais acaba”…

E não acabava. De tal forma que o manuseamento do dólar servia de entretenimento de crianças, que utilizavam a moeda norte-americana até para comprar rebuçados. Segundo várias fontes, o dinheiro saía de Angola através da sala do Protocolo de Estado do aeroporto, a que tinham acesso membros do regime. Outra das formas de assegurar a saída de capitais eram transferências para bancos portugueses, ou o carregamento, sem controlo, de milhares de dólares em cartões de crédito. A frequente descoberta, a bordo dos aviões da TAAG, de bagagens contendo maços de com um milhão de dólares passou em Angola a ser uma não notícia. Em bancos como o BESA levantavam-se facilmente 100 a 200 mil dólares.

Os recursos do BESA permitiram à Escom erguer um vasto império, que ía da aviação, passava pelas pescas e acabava no negócio das minas. Mas seria na construção civil que as paredes deste braço não financeiro do Grupo Espírito Santo começaria a ruir. Os alicerces da Escom acabariam por implodir em definitivo depois da tentativa de venda à Sonangol, então liderada por Manuel Vicente, ter fracassado. “A Sonangol recuou porque a avaliação dos activos estava a ser sobrevalorizada por Ricardo Salgado” revelou ao Expresso um antigo administrador da petrolífera angolana. Salgado chegou a anunciar o negócio, mas este nunca se concretizaria.

As relações entre Ricardo Salgado e Hélder Bataglia, o homem forte da Escom, viriam a degradar-se, tendo ambos entrado em colisão em versões contraditórias prestadas nos interrogatórios feitos pelo Ministério Público português já este ano. Dono de 33% da Escom, Hélder Bataglia foi o principal arquitecto que levou para Angola Sam Pa, o magnata chinês com quem, numa primeira fase, constituiria a China Beya Escom International Limited. A partir desta fusão nasceria a CIF – China International Found, mas Hélder Bataglia, que entrara com uma participação de 7 milhões de dólares, acabaria por ser afastado, enquanto Sam Pa, hoje sob prisão domiciliária em Hong Kong, haveria de estabelecer com a Sonangol uma parceria tão promissora como ruinosa.

Ao patrão da extinta Escom, como contrapartida do papel desempenhado na montagem desta engenharia sino-angolana, fora dada, ao mais alto nível do poder político angolano, a expectativa que lhe seriam adjudicadas as obras dos aeroportos de Angola e atribuída uma participação num bloco petrolífero. Hélder Bataglia aguarda até hoje que a indemnização acordada, com a parte angolana, seja cumprida.

Depois do último episódio da reportagem da SIC “Assalto ao Castelo”, em Luanda cresce a ideia de que aquele retrato representa apenas a ponta de um icebergue. Para muita gente, as imagens parecem destapar o naufrágio de um “Titanic”, comandado por políticos que, em Angola, se converteram nos seus maiores negociantes. “Os políticos têm de passar a ter mais cuidado para não se molharem à chuva. Têm de deixar de misturar política com negócios”, declarou Mário Pinto de Andrade, professor universitário e membro do Comité Central do MPLA. “Este e outros casos danificam profundamente a imagem de Angola, mas tudo o que vem acontecendo é reflexo da impunidade de que gozam os detentores de cargos públicos” acrescentou ao Expresso Silva Candembo, correspondente da agência italiana Agi. O fim deste tipo de práticas só terá lugar, para o escritor Jacques dos Santos, se “o próximo Presidente da República tiver coragem para, com mão de ferro, começar a punir os corruptos e a justiça actuar em conformidade com a moral e a ética republicanas”.

 

 Gustavo Costa

COMENTÁRIO: É FARTAR VILANAGEM.  QUE LINDOS MENINOS!              

 

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