O 25 DE ABRIL

O 25 de Abril.

Eu estava hospedado num motel de Salisbúria, de passagem pela  Rodésia, no dia 25 de Abril, quando ocorreu o golpe militar em Portugal. Nessa altura o nosso país já se encontrava numa profunda convulsão política mas ainda era liderado por um patriota “O general António Spínola”.  Escrevi-lhe nessa mesma noite uma longa carta a expor-lhe as grandes dúvidas e preocupações que me assaltavam sobre todos os riscos porque a nossa Nação poderia vir a passar. Os pontos que abordei provaram, mais tarde, ser todos importantes e verdadeiros.

O povo português é tão ingénuo e tão sonhador que ainda hoje continua a acreditar que o 25 de Abril foi uma revolução popular. O 25 de Abril não foi nenhuma Revolução Popular, foi um golpe militar comunista que colocou no poder uma hierarquia indisciplinada de traidores, saída do exército e das fileiras do Partido Comunista, numa época em que o comunismo alastrava como sarna pelo mundo do após guerra. Fieis ao nacionalismo, os portugueses mal ou bem construíram um país que administrou um Império. Ele tinha moeda própria, não devia nada a ninguém, possuía sólidas reservas monetárias, era uma verdadeira nação soberana respeitada no mundo. A sua organização política, infelizmente  era regida por fascistas anti democráticos, mas não era uma anarquia. Havia trabalho, investimento e produção de riqueza em todo o vasto Império português. O seu povo era trabalhador e ordeiro, sem contudo ser feliz. Mas  onde haverá povos verdadeiramente satisfeitos e felizes? Nalguns países onde o egoísmo das classes políticas nunca existiu na grandeza em que existe em Portugal, certamente. Portugal possuía nessa altura um exército patriota e disciplinado, que era  a garantia da sua segurança nacional e a verdadeira protecção da Nação, isto quando a soberania da Nação assentava no povo como deve sempre ser. Mas o comunismo minou o exército e trouxe consigo a indisciplina que mais tarde ou mais cedo haveria de destruir a coesão nacional e permitir o acesso fácil aos traidores que iriam hipotecar e vender o nosso país. É certo que o povo estava farto de viver oprimido e desejava libertar-se. Cada um desejava ser livre à sua maneira para poder falar à vontade, sem ser espiado, perseguido e castigado pelas suas ideias e pelo que dissesse. O homem em todos os países e em todas as latitudes sempre desejou ser livre mesmo para fazer asneiras. Ideias novas apoiadas em falsas promessas sopravam do Leste europeu com uma força inusitada. Sopravam duma nação  grande onde o povo era brutalmente oprimido e sofria como em nenhum outro lugar da Terra. Mentir e saber mentir de forma convincente era uma espécie de epidemia contaminante e avassaladora a que  poucos conseguiam resistir. Portugal era então rico, sem que contudo o mundo lhe reconhecesse o direito de o ser. As suas riquezas, inaproveitadas fascinavam e eram objecto de grande inveja para os países fortes que as desejavam roubar. Entre sorrisos, promessas e palmadinhas nas costas os comunistas iam tomando conta das pessoas e de rudo. A melhor forma de o conseguir era dividir e fracturar a coesão nacional e isso tinha de envolver também o exército. O exército seria mesmo o canal mais adequado para o conseguir fazer. O golpe deu-se e foi  a partir dessa altura que os abutres e as aves de rapina necrófagas começaram a sair de cima das árvores e a descer para se banquetearem com os despojos da vítima. Os portugueses  como bons mirones de sempre, ocorreram a monte, para ver e apreciar o que se estava a passar e não se deram conta de que estavam a legitimar o movimento militar, que logo se aproveitou disso para lhe chamar Revolução Nacional. Mas qual revolução nem qual carapuça. Uma revolução popular é feita pelo povo e para o povo, para tirar do lugar quem governe mal e para colocar nele quem governe bem. Os frutos da falsa revolução não foram esses. Depois do 25 de Abril ainda não conseguimos ver quem governe bem e produza bons frutos. Sejamos pragmáticos: O que é hoje Portugal? Um país endividado, com uma sociedade completamente desequilibrada, com uma dívida impagável, de juros impagáveis, considerado pelas Agências de Rating  como lixo económico. O povo vive momentos  de grande inquietação e incerteza  e ninguém sabe ao certo para onde nos encaminhamos. Mas os tais passarões que estavam pousados nas árvores  fizeram uma boa colheita em seu proveito e têm os bolsos recheados de euros e podem bater asas a qualquer momento e ir organizar vidas opulentas nos paraísos fiscais onde colocaram o produto dos seus roubos. E mesmo aqueles que foram julgados e condenados, reconhecidos como ladrões do erário público, nunca devolverão o que roubaram. Para calar o povo revoltado mas submisso aplica-se novamente a receita dos Imperadores Romanos : Pão e Circo. O povo não se revoltará muito se nunca lhe faltarem o futebol, as novelas e os sorteios de bens e de dinheiro. E o futuro? O futuro a Deus pertence, dirão, encolhendo os ombros conformados.

O Pica Pau Angolano

 

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