A TRAGÉDIA DE PEDROGÃO GRANDE

A grande tragédia de Pedrogão Grande

As condições do nosso clima de Verão são propensas à trágica realidade dos grandes incêndios florestais. O clima seco e quente dos nossos escaldantes verões é uma realidade com que teremos sempre de contar, porque nada podemos fazer para alterar essa realidade.  Todos  nós  sabemos   disso,  uns  porque  com  ela  convivem,  lutando corajosamente contra o fogo, outros,  porque os media nos informam detalhadamente sobre essa imensa tragédia. Mas será que não nos cabe a nós a grande responsabilidade disso tudo?  A contínua assiduidade de todas essas tragédias não nos diz nada?  Seremos tão burros ou tão teimosos que não aprendemos nada com elas? E o que dizer do Governo? Estará isento da   maior parte das culpas? Que  providências  toma  o  Governo  para  as evitar? Haverá de facto leis suficientemente adequadas para nos defender desse terrível mal? E se as há, estarão a ser cumpridas? Que fiscalização atempada exerce o Governo para prevenir a situação? Traça planos, promove reuniões, toma medidas?  Nada parece passar de relatórios, conclusões, intenções, mas sem nenhumas  acções consequentes. O síndroma dos avestruzes acaba sempre por prevalecer, porque a cabecinha enterrada na areia acalma sempre  as consciências.  E  a  floresta   cresce cheia  de  mato  envolvente, acumulando combustíveis de grande poder ígneo. O eucalipto vai tomando cada vez mais conta das nossas florestas, e tornou-se  a vedeta   das  nossas   manchas    verdes. Passou mesmo a decorar a berma das nossas estradas envolvido por arbustos diversos.   A falta de acessos às florestsa tornam a sua defesa praticamente  impossível  de  se  fazer  através  de carros de combate ao fogo. A água é tremendamente escassa nas aldeias, mal chega para o consumo doméstico. Não há moto bombas independentes com  mangueiras e quando o fogo se declara os habitantes procuram apaga-lo com  baldes e com batidas de ramos verdes.  Ninguém parece exercer uma fiscalização  sobre as condições envolventes dos aglomerados populacionais, apontando erros que comprometam a segurança dos aldeamentos e exigindo a remoção de materiais inflamáveis acumulados e abandonados perto das casas. É tudo um santo desmazelo e o encolher de ombros é a atitude mais frequente. Uma parte dessa permanente fiscalização caberia a uma polícia municipal instruída para esse efeito, conferindo-lhe o direito de multar os responsáveis. As florestas deveriam ser criadas e assistidas evitando o excesso de coníferas e de eucaliptos e ser limpas de mato nocivo. Muito desse trabalho deveria ser objecto de mutirões populares organizados com a orientação e supervisão do serviço local de bombeiros ou das Juntas de Freguesia. Todo este trabalho deveria envolver o interesse dos próprios populares que seriam os maiores beneficiários da segurança dos aglomerados populacionais. Ao Governo caberia providenciar os meios necessários à rápida defesa de cada aldeia contra o fogo, fornecendo e custeando todos os aparelhos de combate e toda a assistência necessária à completa segurança das pessoas e dos seus bens. As estradas deveriam ser feitas e mantidas de forma a facilitar o acesso rápido das viaturas de combate ao fogo e não deveriam ser ladeadas por árvores ou mato..  Cada aglomerado populacional  deveria poder contar com uma ambulância  totalmente equipada para transportar  feridos e acidentados para socorro hospitalar imediato. Os negócios da madeira queimada deveriam ser  rigorosamente vigiados para que não se possam transformar no leit motif dos incêndios. O serviço de guardas florestais equipados de meios de fácil mobilidade e de cantoneiros deveria ser novamente restabelecido para uma adequada vigilância das florestas e dos seus acessos

Creio que com todas estas medidas conjugadas e respeitadas se poderiam evitar tragédias como as de Pedrogão Grande e de Góis.

 

O Pica Pau Angolano

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