NO RESCALDO DA TRAGÉDIA QUE DIZIMOU 64 VIDAS EM PORTUGAL

No rescaldo da tragédia que dizimou 64 vidas

Pedrogão Grande e Góis ficarão para sempre a tingir de fogo e sangue as almas dos que conseguiram sobreviver a essas duas tremendas tragédias. O que ali se passou dificilmente  se pode aceitar, esquecer e perdoar. Há graves responsabilidades que terão de ser convenientemente apuradas e não bastam atitudes de chorosas condolências para sanar as muitas perdas de vidas  e de bens. A presença de autoridades engravatadas e penteadinhas a destoar completamente das vítimas locais, é uma verdadeira abomlnação que deveria ser evitada. Quantas vezes mesmo, não serão esses senhores, em grande parte, os responsáveis pelas tragédias? Não adianta usar de subterfúgios para alijar responsabilidades. Foi sempre esse o consabido hábito dos verdadeiros responsáveis que abusam da ingenuidade e boa fé de um povo manso e conformado que tem de se comportar como mendigo, na esperança de receber uma esmola reparadora. O tempo é o tempo e não está sob a alçada do homem. Responsabilizar o tempo é o mesmo do que querer tapar o Sol com uma peneira. Os responsáveis são sempre os homens ou por negligencia ou por incompetência. Em nenhum desses casos poderão eximir-se das suas responsabilidades. Os incêndios nas florestas portuguesas ocorrem todos os anos com maior ou menor regularidade e intensidade. As causas conhecem-se bem. Podemos citá-las uma a uma. São todos os anos as mesmas e já se sabem de cor. Na cabeça da lista ocupam um lugar preponderante os pirómanos, que agem por gosto ou por encomenda. Depois é o tradicional desleixo humano que acumula lixo, mato e madeira dentro das aldeias ou mesmo encostado às suas casas. A falta de um bom ordenamento florestal e a utilização das coníferas e do famigerado eucalipto numa densidade massiva, ocupando o terreno  sem deixar espaço para se fazerem acessos que permitam o acesso dos meios de combate ao fogo.  A presença permanente de matagais cerrados que, quando secos, e acrescidos de cascas de eucaliptos se transformam numa enorme massa vegetal  de tremendo potencial ígneo. A grande falta de  água nas aldeias para combater o fogo, o que leva os moradores a tentarem combater o fogo a baldes de água. As florestas chegam a ficar demasiado perto dos aglomerados populacionais. Estradas estreitas e precárias muitas das vezes bordejadas por árvores e lixo combustível aí acumulado. Falta de equipamento de segurança para pronto socorro a sinistrados. A maior parte de todos estes requisitos só o Governo os deve fornecer. Não o  fazendo negligencia criminosamente o seu dever. Deveriam ser criadas novamente duas figuras que já existiram e que provaram ser de grande utilidade, o guarda florestal e o cantoneiro. As medidas aqui mencionadas terão, sim, um impacto nas despesas, mas bem inferior aos imensos prejuízos causados pelos incêndios e o Governo tem a obrigação de saber fazer contas por ser um gestor do dinheiro público. O que na prática se verifica é a continua negligencia de tudo e é um facto bem comprovado  que as coisas se repetem ano após ano de forma indesculpável. Para mim isto tudo é uma consequência do nosso sistema partidocrático que coloca os interesses dos partidos acima do interesse nacional e faz dos políticos gestores inimputáveis. Se nos mantivermos com esse tipo de governo seremos sempre um país sem soberania económica, habitado por um povo infeliz e abúlico sujeito a fatalidades do tipo de Pedrogão Grande. As consequências de tragédias vergonhosas como as de Pedrógão Grande hão de voltar a repetir-se e serão objecto das mesmas estafadas desculpas e explicações por parte dos verdadeiros responsáveis. A grande habilidade dos responsáveis é sacudirem a água dos capotes. Era muito bom que desta vez o Governo fosse rigoroso  no apuramento das responsabilidades e penalizasse os responsáveis.  Seria muito interessante que o nosso P.R, se deixasse de beijinhos e abraços a torto e a direito e procurasse conhecer melhor as necessidades do Portugal profundo, inteirando-se das condições de vida e segurança nas aldeias e aglomerados humanos do nosso país. Seria algo muito meritório e digno de apreço, que todo o povo reconheceria.

A.S.L

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