SER ANGOLANO

SER ANGOLANO

Ser angolano, ser africano, não é ser preto nem é ser branco ou mestiço. É ter alma de africano, ser irreverente e inconformado. Eu sou irreverente  e inconformado e assumo o risco. Declaro já que não mais voltarei a Angola enquanto ali perdurar o regime neocolonialista que ali se implantou para substituir o colonialismo. Portugal errou profundamente por não ter preparado a tempo e com sabedoria a autonomia de Angola. O direito de Angola à autonomia era legítimo e irreversível e os governantes portugueses do território não o quiseram  reconhecer a tempo. Portugal errou gravemente mas o seu erro não devia ser extensivo aos europeus e aos mestiços nascidos em território Angolano. A nova administração do território angolano depois da independência, praticou um erro gravíssimo por não ter de forma clara e automática reconhecido a nacionalidade angolana (respeitando a lei internacional do jus soli ) a todos os seus filhos, pois eles tinham, na maioria, um grande sentimento de amor para com o território angolano que consideravam ser a sua pátria verdadeira. Eles deviam, por justiça, ter tido direito a colaborar na construção do novo país independente que se veio a formar. Em vez disso foram escorraçados por um puro sentimento racista. Esta atitude feia foi encorajada pelos países estrangeiros que tinham os olhos postos nas grandes riquezas naturais de Angola e que as pretendiam explorar. Eu declaro, como angolano que me considero, que não mais voltarei a Angola, enquanto aí vigorar o regime político artificial que colocou o povo angolano numa situação de dependência neocolonial para que toda a sua extraordinária riqueza natural tivesse sido entregue a um governo cleptocrata privilegiado, sugando ao povo angolano o direito legítimo de poder participar da economia nacional e melhorar a sua pobre qualidade de vida. Pergunto, para que pode servir um desenvolvimento não partilhado pelo povo, que, no conceito democrático verdadeiro, é a alma e o coração da Nação?  Em vez disso, o que se instalou e  ainda perdura em Angola, é um governo ilegítimo e cleptocrático que explora e absorve todas as suas riquezas. Desventrada das suas enormes riquezas naturais, Angola não pertence ao povo que a habita  e que é formado de múltiplas etnias. Pertence a um grupo de ambiciosos, colocados no poder pela força das armas e não pela força do voto, Praticamente vendido a países que desejam apropriar-se das suas riquezas e usá-las em benefício das suas economias.       Angola é hoje um país que produz um grande volume de dinheiro, que lava dinheiro e que se deixa explorar para enriquecer um grupo bem conhecido de cleptocratas que ostentam a sua riqueza pelo mundo inteiro e que engordam as suas contas bancárias e multiplicam os seus investimentos comprando empresas e adquirindo volumosas ações. Mas, paralelamente, esse grupo que governa o país, oprime o povo angolano e obriga-o a viver sem liberdade e sem suficiência. A economia angolana atual, tanto quanto se percebe, não se presta à participação da grande maioria dos seus cidadãos e sendo um país rico, possui um dos povos mais pobres e explorados do mundo. Pobres dos meus  irmãos angolanos que, possuindo um país rico, passam pela constante agonia de viver em verdadeiro estado de pobreza.  Nunca mais voltarei à minha terra enquanto nela permanecer a tirania e a injustiça! Acredito porém que um dia, mais cedo ou mais tarde, tudo mudará, porque nada do que é anti-natural sobrevive para sempre!

O Pica Pau Angolano  

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