DOIS GRANDES E SINCEROS AMIGOS

DOIS  GRANDES E SINCEROS AMIGOS

Tenho a felicidade de possuir dois grandes e inseparáveis amigos.   E o mais importante dessa bela e extraordinária amizade é que tenho a certeza que  ela é pura e  sincera e que não tem  qualquer traço de hipocrisia. De certo, não se irão admirar, se eu lhes confessar que são um cão e uma gatinha. Ambos foram adotados já adultos e foram recuperados da rua. Não faço a mínima ideia de quem possa ter cometido o crime de ter abandonado dois animais tão nobres e  ricos  de  coração.

 

 

 

 

 

 

 

A gatinha,  totalmente  branca e   de lindos olhos verdes amendoados, foi abandonada grávida, já na última fase da sua gestação. Recordo-me nitidamente do dia em que a socorri. Estava no topo de uma árvore, refugiada de um grupo de cães grandes que a queriam matar. Estava desesperada.  em  pânico  e cheia de fome. Espantei os cães que a  acossavam  e  retirei-a  do  alto  da árvore.  Dei-lhe comida granulada que aceitou com verdadeira sofreguidão. Certamente já não comia haveria dias. Percebi de imediato que era um animal perfeitamente manso e habituado a conviver com as  pessoas. Depois de ter comido sofregamente, fugiu para se meter debaixo de um carro e eu não consegui tirá-la de lá. Ainda aguardei um bocado   no  local  esperando  que ela dali saísse, mas porque certamente continuava  muito  amedrontada  não  me  apareceu   mais.

Nessa altura os cães que a perseguiam já tinham dispersado. Saí do local um pouco triste e preocupado com a situação infeliz do pequeno animal mas nada mais  podia  fazer  para o ajudar. Uns dias mais tarde, uma vizinha minha que também estivera no local e assistira a tudo, veio dizer-me que tinha localizado a gatinha debaixo de uma varanda térrea e disse-me que ela já tinha dado  à luz.  Foi-me  então  mostrar  o  local  onde  ela  se  encontrava refugiada. Tive de me  deitar  no  chão  para  a  poder  ver.  Era  de facto  ela  com  um ar tranquilo e feliz por ter dado à luz os seus gatinhos. Com um pouco de esforço consegui ver que eram quatro gatinhos, três bancos e um totalmente preto com as pontas das patinhas e a ponta da cauda preta. O local pareceu- me seguro  e  cómodo  para  a gatinha  e  para   os filhos. Passei então a ir vê-la todos os dias e a alimentá-la. Mais tarde, quando os gatinhos começaram a andar,   tornou-se   perigoso  permanecerem  ali,  pois   ficavam   expostos a qualquer cão que por ali passasse e os pudesse matar.  Recolhi  então  a  gata  e  os quatro gatinhos em minha casa e ali os  criei.  Por  serem todos muito bonitos foi-me muito fácil arranjar-lhes bons donos. O último a partir foi a gatinha preta a  “Frajola”.  Durante vários meses tive sempre notícias de todos eles e alguns dos seus donos,  chegaram mesmo a enviar-me fotos dos animais para que eu me apercebesse do seu crescimentio.

 

 

 

 

 

 

 

A “bianca” nome  que minha  mulher deu à gatinha foi uma mãe extremosa que criou os filhos com muito amor e  muito êxito. Cheguei a ter pena dela por ter tido que se separar de todos os filhos,  mas  tinha  que ser. Foi a única ninhada que teve. A “Bianca” vive ainda connosco e  é hoje um animal lindo que cuida da sua higiene com esmero, possuindo um pelo sedoso e  aveludado  de  um  branco  imaculado. Acabou por ganhar um segundo  nome,  mais  íntimo, mais caseiro. Agora dá pelo nome de “Pimpinha”. É um animal extremamente   manso e meigo que  nos  devota  uma  amizade extraordinária. A Pimpinha ganhou em nossa casa  uma importância  fora  do  comum  para  um  animal doméstico e tem liberdade absoluta, sabendo comportar-se sem criar qualquer espécie de problema.   Até   mesmo   no   que   diz   respeito   à   sua alimentação não nos dá trabalho nenhum, pois só gosta de comer granulado. Pelo seu comportamento chego a lembrar-me de alguns   contos   da   minha infância, em que se falava de fadas e de princesas encantadas. Isto porque a ”Pimpinha” parece mesmo uma princesinha encantada. A Pimpinha espera sempre pela hora   em  que me deito  para  também   se  deitar  sobre o  meu ombro  e aí permanecer completamente feliz e sossegada.   Em   nossa   casa convivem três gatos e um cão que já são considerados como parte da família. Todos   estes   animais   têm   uma   característica   comum,   foram   todos recuperados da rua pois eram todos animais abandonados.

O cão que vive connosco em casa e que     coabita  perfeitamente com os gatos também era um triste   e   pobre abandonado.  Foi-me  apresentado  por  um  outro     cão    adulto   que   adotei   sem o poder trazer para casa. O “Bolito”    é  um cão pequeno,  da    raça caniche que se juntou ao “Nico” que o adotou e protegeu como   amigo.  Por  ser  de pequeno  porte  e  muito  simpático  acabou   por recuperar o estatuto de cão caseiro e passou a viver dentro de casa. Dorme na sala dentro de  um  cesto.      Conciliou- se  perfeitamente    com    os      nossos   três   gatos  e  respeitam-se mutuamente. É um cão muito inteligente e eu acho-lhe muita graça. Foi a primeira vez que deparei com um cão sem qualquer  tipo  de   egoísmo,   e  que   respeita   o horário  das refeições dos gatos. Nunca se antecipa aos  gatos  para  comer  e   só  come  quando  lhe  chega a vontade de comer. Nunca  se  precipita  sobre nenhuma alimento, seja de que tipo for. A única coisa em que não se presta  a  colaborar é  nos banhos. Não gosta nada de  banho e   se   ouve   a    palavra   banho vai logo esconder-se  debaixo da cama. Este cãozito acompanha-me para todo o lado e  também  nunca  se  deita  sem  eu  me  deitar primeiro. É muito barulhento e muito bom guarda e é muito territorial. Gosta   muito de  correr  atrás  de  carros  e  bicicletas,  mas   é apenas barulhento e nunca morde a ninguém. Vá para onde for ele segue-me e deita-se aos meus pés.  Parece  uma verdadeira rémora. São estes os dois animais meus amigos e em cuja amizade posso confiar completamente.  Alguns animais devotam aos seus donos um extraordinário amor e o seu abandono é um verdadeiro crime.

O PICA PAU ANGOLANO      

 

 

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